Brasil acolhe mais de 30 mil imigrantes crianças e adolescentes, diz Ministério

De acordo com o secretário nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Luís Carlos Martins Alves, o Brasil abriga cerca de 100 mil imigrantes e de 30% a 40% ocupam essa faixa etária

Brasília – O adolescente venezuelano Dewy Salazar, de 13 anos, está no Brasil há dez meses e, desde julho, sua casa é o Rio de Janeiro. A mudança da Venezuela foi difícil. “Na última hora, as coisas se complicaram lá”, disse Dewy, sobre a crise econômica e política que o país vizinho atravessa.

O pai do adolescente acabou atravessando a fronteira para o Brasil e conseguiu trabalho em Boa Vista, capital de Roraima. Após um tempo, veio a família — Dewy, sua mãe e dois irmãos. O Brasil é o destino de imigrantes de diversas nacionalidades em busca de melhores condições de vida, entre eles os venezuelanos, que chegam, principalmente, pelos Estados fronteiriços, o caso de Roraima.

Para 2019, estão previstos R$ 50 milhões no Orçamento para a interiorização (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

Inicialmente, a família de Dewy ficou em uma casa alugada, depois foi para um abrigo e, após cerca de oito meses em Roraima, no processo de interiorização, foi transferida para o Rio de Janeiro e acolhida no abrigo da ONG Aldeias Infantis SOS.

Agora, o adolescente já frequenta a escola e disse que está gostando da nova rotina. “Na escola me tratam bem, são meus amigos e me sinto bem”, disse. “Eu quero uma vida melhor, que meus pais tenham trabalho e que eles possam dar o melhor para nós, e nós darmos o melhor para eles, para que eles se sintam bem também”.

Mileidys Arzola, também de 13 anos, precisou caminhar 215 quilômetros de Pacaraima, cidade de Roraima na fronteira com a Venezuela, até chegar a Boa Vista. “Foi muito difícil. Meu pai e minha mãe não tinham muito dinheiro quando chegamos na fronteira. Somos cinco filhos, tivemos que ir três dias caminhando. Depois que chegamos a Boa Vista, ficamos duas semanas acampados na Praça Simon Bolívar”, contou.

A família da adolescente passou ainda mais três meses em um abrigo para refugiados em Boa Vista, antes de ser levada para Igarassu, em Pernambuco. “As coisas melhoraram muito. Os brasileiros tratam os venezuelanos com muito carinho”, disse.

Rede de apoio

Dewy e Mileidys fazem parte das mais de 30 mil crianças e adolescentes imigrantes que estão no Brasil. A estimativa é do secretário nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Luís Carlos Martins Alves. De acordo com ele, o Brasil abriga cerca de 100 mil imigrantes e de 30% a 40% são crianças e adolescentes.

O secretário e os adolescentes participaram, na última sexta-feira, 14, em Brasília, do Seminário Internacional Crianças e Adolescentes Migrantes promovido pelo Ministério dos Direitos Humanos. “As crianças e adolescentes são os mais vulneráveis nesse processo e necessitam de uma rede adequada de proteção para usufruir dos direitos humanos aqui em nosso País”, disse Alves.

O encontro teve como objetivo debater o cenário internacional da migração e os impactos causados a crianças e adolescentes. A proposta do evento também é permitir a troca de experiências sobre boas práticas dos órgãos de governo e da sociedade civil na interiorização e os desafios na adequação das políticas públicas ao contexto migratório.

Entre os desafios no processo de adaptação de crianças e adolescentes ao Brasil, segundo o secretário nacional, estão a questão do idioma, o de promover acesso à educação apropriada, o de mantê-los próximos de suas famílias — no caso daqueles que chegam desacompanhados —, o de garantir acesso a saúde e evitar que sejam vítimas da exploração sexual e do tráfico de drogas.

Segundo o secretário, o governo federal tem feito repasses de recursos para ajudar os Estados e municípios que estão recebendo imigrantes. Para 2019, estão previstos R$ 50 milhões no Orçamento para a interiorização.

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