Caso Mari Ferrer: ‘estupro culposo’ inocenta empresário e gera revolta na internet

Em imagens da audiência, o advogado de defesa do empresário chega a humilhar Mariana. Ela chegou a chorar e reclamar ao juiz que não estava sendo respeitada

Manaus – O julgamento do empresário André de Camago Aranha, acusado de estuprar a promoter Mariana Ferrer, 23, teve uma reviravolta inesperada que gerou revolta nas redes sociais no início de Setembro. O site The Intercept Brasil publicou nesta terça-feira (3) detalhes inéditos do caso no qual o empresário acabou sendo inocentado. O caso foi julgado como ‘estupro culposo’ crime não previsto por lei.

(Foto: Reprodução)

O processo corria em segredo de justiça, mas foi divulgado pela promotora nas redes sociais em maio de 2019 como forma de pressionar o andamento das investigações. Na ocasião, a hashtag #justiçapormariferrer virou um dos assuntos mais comentados do país. Conforme o The Intercept Brasil, o julgamento teve troca de delegados, promotores, sumiço de imagens e alteração da versão do acusado.

O advogado do empresário Cláudio Gastão da Rosa Filho, é um dos mais caros de Santa Catarina. Em imagens da audiência, o advogado de defesa do empresário chega a humilhar Mariana, mostrando fotos sensuais de quando a promotora trabalhava como modelo. O advogado referiu-se às imagens como ‘ginecológicas’ e afirmou que ‘jamais teria uma filha do nível’ de Mariana. Ela chegou a chorar e reclamar ao juiz que não estava sendo respeitada.

 

Mariana afirmou que o estupro teria acontecido em dezembro de 2018, durante uma festa em Florianópolis. À época, a promotora tinha 21 anos e trabalhava com a divulgação do evento. Um vídeo ‘vazado’ na internet mostra Mariana aparentemente embriagada subindo uma escada que levava a um camarim restrito com a ajuda do empresário. Após seis minutos ela sai seguida do empresário. O vídeo foi incluído no processo e foi uma das únicas imagens que a polícia conseguiu resgatar, apesar de o local do evento ter 37 câmeras.

A promotora relatou à polícia que teve perda de memória e acredita ter sido dopada. A única bebida alcoólica que Mariana consumiu, segundo consta na comanda, foi uma dose de gim. Até então, Mariana era virgem, o que foi atestado em exame pericial. O advogado do empresário usou a informação da virgindade de Mariana para atacá-la e dizer que ela estaria manipulando ‘com essa história de virgem’.

Ao final do julgamento o promotor responsável pelo caso, considerou que não havia como o empresário saber que a jovem não estava em condições de consentir a relação, não existindo a ‘intenção’ de estuprar. Desta forma, foi aceita a argumentação de “estupro culposo”. O empresário foi então absorvido, tendo em vista que não há como condenar alguém por um crime que não existe. A defesa de Mariana recorreu da decisão.

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