Caso naja: solto, universitário dá curso sobre serpentes peçonhentas

O estudante de veterinária é réu no caso que apura tráfico internacional de animais e foi picado por uma cobra naja em julho de 2020

Distrito Federal – O estudante de veterinária Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkuhl, réu no caso que apura tráfico internacional de animais, agora ministra palestras sobre serpentes peçonhentas. Após ser picado por uma cobra naja no Distrito Federal, em julho de 2020, o universitário passou a ser investigado por maus-tratos no animal.

O estudante de veterinária é réu no caso que apura tráfico internacional de animais e foi picado por uma cobra naja em julho de 2020 (Foto: Reprodução / Redes Sociais)

Krambeck se associou ao Projeto Jaracaca, inciativa catarinense para a conservação das cobras no País. Há um mês, ele participou de um curso online e gratuito do projeto, que discutiu acidentes com animais peçonhentos e de estimação, primeiros socorros e comportamento das serpentes.

A Operação Snake, como foi batizada a investigação da Polícia Civil do Distrito Federal, ganhou repercussão nacional. Depois de picado pelo animal exótico da fauna brasileira, Krambeck foi internado na UTI em um hospital particular no Gama, no DF, em estado grave, e chegou a ficar em coma induzido.

A única dose do soro antiofídico disponível no país e aplicada em Krambeck foi tirada do Instituto Butantan, em São Paulo. Dois dias depois da internação, ele passou a ser investigado como suspeito de integrar um esquema de tráfico de animais exóticos.

O rapaz não tinha permissão para criar o animal, que não podia ser mantido em domicílio de forma domesticada. Após se recuperar, ele chegou a ser preso, mas  foi solto e passou a responder ao processo em liberdade. Na época, a naja foi localizada dentro de uma caixa, atrás de um shopping no DF.

Os investigadores apuraram que Krambeck criava pelo menos 23 cobras em um apartamento de três quartos. Mais dez pessoas tiveram indiciamento como participantes dos crimes, entre elas a mãe e o padrasto do estudante, um major da Polícia Militar Ambiental, além de outros universitários, amigos de Krambeck.

O grupo vendia os filhotes das serpentes para obter lucros. Um ano e meio depois, o processo judicial ainda está em tramitação na Justiça local, mas, até hoje, ninguém foi condenado no caso.

Cobra está em São Paulo

A naja que picou Krambeck foi tratada no Zoológico de Brasília, onde foi objeto de um ensaio fotográfico. Em agosto, o animal, que é original de regiões da Ásia, foi transferido para o Museu Biológico do Instituto Butantan, em São Paulo.

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