Lava Jato já bloqueou mais de US$ 44 milhões no exterior, em 2018

Contas Bancárias Com ajuda das investigações da Lava Jato, o DRCI encontrou os valores milionários depositados na Suíça

Brasília – Brasil já bloqueou mais de US$ 44 milhões (cerca de R$ 142 milhões) no exterior, nos primeiros dois meses de 2018, em consequência de investigações da operação Lava Jato. O bloqueio foi realizado pelo Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), órgão do Ministério da Justiça.

Com ajuda das investigações da Lava Jato, o DRCI encontrou os valores milionários depositados em bancos suíços e impediu a movimentação do dinheiro através de uma cooperação internacional com o país europeu.

A medida de repatriação dos US$ 44 milhões poderá acontecer de duas formas: após o trânsito em julgado das ações condenatórias na Justiça brasileira ou em caso de novos acordos de delação premiada.

Neste último caso, os réus concordam em entregar os ativos mantidos no exterior como uma das formas de colaboração com a Justiça. Isso já aconteceu em outras ocasiões na Lava Jato desde 2014.

O DRCI já bloqueou US$ 377,5 milhões (R$ 1,22 bilhão) no exterior devido a medidas de cooperação jurídica internacional baseadas em investigações da Operação Lava Jato nos últimos cinco anos.

Desse montante, já foram repatriados cerca de US$ 135 milhões (R$ 437,4 milhões). Parte desse dinheiro, através de delações premiadas.

No total, cerca de 1,3 bilhão de dólares (R$ 4,21 billhões) foram bloqueados no exterior através de cooperação internacional desde 2000 – sendo US$ 250 milhões que, de fato, já retornaram ao país (ou cerca de R$ 800 milhões).

Histórico

A Lava Jato começou em 2009 com a investigação de crimes de lavagem de recursos relacionados ao ex-deputado federal José Janene, em Londrina, no Paraná. Além do ex-deputado, estavam envolvidos nos crimes os doleiros Alberto Youssef e Carlos Habib Chater. Alberto Youssef era um antigo conhecido dos procuradores da República e policiais federais. Ele já havia sido investigado e processado por crimes contra o sistema financeiro nacional e de lavagem de dinheiro no caso Banestado.

O monitoramento das comunicações dos doleiros revelou que Alberto Youssef, mediante pagamentos feitos por terceiros, “doou” um Land Rover Evoque para o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Paralelamente, os procuradores da República fizeram pedidos à Justiça (15 medidas cautelares), obtendo o bloqueio de praticamente todo o patrimônio dos acusados no Brasil, o que somou mais de R$ 50 milhões.

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