Lesões por arma de fogo custaram mais de R$ 33 milhões em 2021

Entre janeiro e novembro foram registradas 14.901 internações. Patamar, considerado elevado, se mantém semelhante ao de 2020

São Paulo – Um levantamento realizado pelo Instituto Sou da Paz, revelou que, no ano de 2021, armas de fogo foram responsáveis por 14.901 internações em decorrência das lesões, o que corresponde a um custo de R$ 33,3 milhões para a saúde pública no país. Por trás dos números, considerados elevados por especialistas, há uma série de gastos e consequências impossíveis de ser dimensionados.

Os interessados passarão por uma avaliação para saber as medidas corretas para a fabricação das cadeiras (Foto: Divulgação)

Os números, disponibilizados pelo Sistema de Informações Hospitalares (SIH), do Datasus, mostram os registros até novembro. Mas uma estimativa que considera o valor de dezembro com base na média de internações por mês, mostra que em todo o ano ocorreram aproximadamente 16,2 mil internações de feridos por arma de fogo — número superior aos 16.184 no ano passado.

Os dados revelam que, entre os meses de janeiro e novembro do ano passado, as internações causadas por lesões custaram ao sistema de saúde R$ 33,3 milhões. Nesse mesmo período de 2020, o custo foi de R$ 32,8 milhões. “Nesses anos os registros se mantiveram em um patamar muito similar. Isso porque em 2018 e 2019 houve uma queda nas internações acompanhando a diminuição das mortes violentas no país. Já em 2020, essas mortes voltaram a subir e 2021 manteve esse patamar um pouco mais elevado”, explica Carolina Ricardo, diretora do Sou da Paz. “A principal hipótese para a curva das lesões é que elas acompanhem a mortalidade por arma de fogo.”

Segundo o estudo, houve queda no número de internações de alta letalidade, por traumatismos e lesões mais graves, e um leve aumento no de baixa letalidade. “Precisamos discutir o que entra nesse custo. Esses dados são subdimensionados, uma vez que estados e municípios colocam recursos próprios, além dos que são ressarcidos pelo SUS (Sistema Único de Saúde)”, diz Carolina.

A professora e coordenadora do Grupo de Trabalho Violência e Saúde da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva), Edinilsa Ramos, ressalta que os dados referentes às internações hospitalares são apenas “a ponta do iceberg”. O fluxo de atendimento do SUS começa pela atenção básica. “Quando não são casos graves são atendidos nas unidades básicas, nos casos de média gravidade são encaminhados às policlínicas”, explica ela, que também é pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca, da Fiocruz.

O custo da violência armada, porém, é muito superior ao impacto financeiro das internações por lesões causadas por armas. “Até chegar às internações. se perdem de vista todas as outras lesões e toda a dimensão das pessoas que não foram internadas”, diz a pesquisadora. Mas quais aspectos entram no cálculo desse custo? O que se analisa, segundo Edinilsa, é o gasto com as hospitalizações. “Os materiais, as equipes envolvidas, os insumos”, diz.

O estudo do Sou da Paz mostrou que, em 2019, em média, a internação de vítimas da violência armada custou R$ 2.048, valor muito superior ao de internações realizadas para partos normais ou cesarianos, que custaram R$ 624, ou ainda para tratamentos de doenças graves e recorrentes como a dengue, para as quais foram desembolsados R$ 312. “É uma causa externa de mortalidade, ou seja, não é natural. São casos que poderiam ser evitados e os custos, reduzidos”, afirma Cristina Neme, coordenadora de projetos do Sou da Paz. “Não precisávamos lidar com o prejuízo causado pela disponibilidade das armas de fogo, ainda mais se considerarmos todos os custos gerados com a pandemia.”

Anúncio