Mourão minimiza fala de Bolsonaro sobre papel dos militares

Presidente havia dito que ‘quem decide se um povo vai viver numa democracia ou numa ditadura são as suas Forças Armadas’

Brasília – O vice-presidente, Hamilton Mourão, minimizou na manhã desta terça-feira (19) a fala de Jair Bolsonaro sobre o papel das Forças Armadas no fortalecimento ou enfraquecimento da democracia em um país.

(Foto: Divulgação)

“Se você tiver as forças armadas indisciplinadas ou comprometidas com projetos ideológicos, a democracia fica comprometida. Temos nosso vizinho, a Venezuela, que vive uma situação dessas aí. As forças armadas são totalmente politizadas, não estão comprometidas com nenhum projeto ideológico, estão comprometidas com a missão dela e já foi dito pelo ministro da defesa e pelos comandantes de força”, afirmou o presidente a jornalistas em Brasília.

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A apoiadores nesta segunda-feira (18), Bolsonaro afirmou que “quem decide se um povo vai viver numa democracia ou numa ditadura são as suas Forças Armadas”. O presidente foi acusado por, mais uma vez, politizar o papel dos militares.

Sobre a avaliação do trabalho do ministro Eduardo Pazuello, que é também general do Exército, na condução da pandemia, Mourão negou que as críticas possam respingar nas Forças Armadas.

“Apesar do ministro ser um oficial general da ativa, independente do cara estar na ativa ou na reserva, qualquer militar sempre é visto como representante das forças, e a situação do ministro Pazuello, como ministro da saúde, ele vem procurando as melhores soluções para essa crise da pandemia, e aí tem pontos a favor e contra a gestão dele”, avaliou.

Atraso na vacinação

Apresentado como especialista em logística ao assumir a pasta federal da Saúde, Pazuello vem sendo duramente criticado pelo atraso na vacinação contra a covid-19 e constantes mudanças de rota no combate à pandemia.

Para o vice-presidente, não há atraso, uma vez que o cronograma foi antecipado.

“Vamos lembrar o que o ministro já tinha falado, há algumas semanas, que a partir do momento que a vacina fosse aprovada, se levaria de dois a três dias para que ela tivesse colocada em todos os pontos do Brasil. E ficou aquela expectativa de que da noite para o dia iria chegar no Acre e no Rio Grande do Sul ao mesmo momento”, disse.

Na segunda-feira, em evento simbólico de entrega dos insumos aos governadores, em Guarulhos (SP), Pazuello foi pressionado a antecipar a aplicação das doses. Pelo cronograma inicial, a vacinação começaria nesta quarta (20), ao mesmo tempo, em todo o país.

Porém, no domingo, logo após a autorização da Anvisa para o uso emergencial das vacinas do Instituto Butantan e Fundação Oswaldo Cruz, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), iniciou a imunização, o que gerou troca de farpas entre o tucano e o ministro da Saúde.

A vacinação contra a covid-19 começou em 21 estados. Outros cinco mais o Distrito Federam devem iniciar a aplicação das doses da CoronaVac nesta terça-feira.

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