Mulher gasta 21,3 horas em tarefas de casa, segundo Pnad

Se somadas as jornadas de trabalho mais as tarefas domésticas e cuidado de pessoas, as mulheres trabalharam 3,1 horas a mais do que os homens por semana

Brasília – Nos últimos dois anos, mais homens passaram a cuidar da casa e dos filhos, mas as mulheres ainda despendem quase o dobro de horas nesse tipo de trabalho doméstico. Enquanto as mulheres brasileiras dedicaram, em média, 21,3 horas semanais a afazeres ou cuidados de parentes, os homens só empenharam 10,9 horas nesse tipo de tarefa.

Os dados são da publicação Outras Formas de Trabalho 2018, com base em informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e divulgadas nesta sexta-feira (26).

Para o IBGE, são necessárias de políticas públicas para as mulheres trabalharem mais fora do que dentro de casa (Foto: Divulgação/EBC)

Se somadas as jornadas de trabalho mais as tarefas domésticas e cuidado de pessoas, as mulheres trabalharam 3,1 horas a mais do que os homens por semana: elas somam 53,3 horas semanais de trabalho, enquanto os homens trabalham 50,2 horas semanais.

“É um trabalho importante para as mulheres, mas também para o PIB (Produto Interno Bruto). Isso tudo é produto, esse trabalho tem de ser valorizado, é importante”, defendeu Marina Aguas, analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE, acrescentando que a contabilização desse tipo de trabalho no cálculo do PIB ainda está em estudo no instituto, sem previsão para ser incluído nas Contas Nacionais.

Na avaliação do IBGE, os dados deveriam ajudar na confecção de políticas públicas que permitam às mulheres trabalharem mais tempo fora do que dentro de casa. “Já tem vários estudos bem robustos mostrando que a construção de creches aumenta a presença da mulher no mercado de trabalho. Mas também tem a questão cultural de levar os homens a participarem mais do cuidados dos filhos”, avaliou Daniel Duque, pesquisador da área de Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).

As mulheres ainda são maioria nos cuidados com a casa: 145,1 milhões de pessoas com 14 anos ou mais realizaram afazeres domésticos, em 2018, sendo 68 milhões de homens e 82,1 milhões de mulheres. “Há um fenômeno estrutural, que é as mulheres fazerem mais afazeres domésticos que os homens. A taxa de participação dos homens até vem caminhando um pouco no sentido de melhorar, mas ainda é um problema estrutural no nosso País”, explicou Aguas.