‘Padre Celebridade’ é suspeito de roubar R$ 60 milhões doados por fiéis e comprar casa de luxo

O padre Robson de Oliveira Pereira é pároco de uma Basílica e apontado pelo Ministério Público como líder de uma organização criminosa em Goiás-GO

Manaus – O padre Robson de Oliveira Pereira, de 46 anos, pároco da Basílica do Divino Pai Eterno, em Goiás, é apontado pelo Ministério Público de Goiás, como líder de uma organização criminosa que desviou R$ 60 milhões de doações de fiéis. R$ 2 milhões foram usados para comprar, à vista, uma casa na Praia de Guarajuba, na Bahia. A aquisição foi feita pela Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), criada e presidida pelo padre Robson.

Padre Robson de Oliveira Pereira ( Foto/Divulgação)

 

O Ministério Público de Goiás deflagrou a operação Vendilhões nesta sexta-feira (21), que analisa movimentação financeira de R$ 1,7 bilhão de entidades religiosas. Após o anuncio, o Padre Pediu afastamento de suas funções da Basílica de Trindade. Segundo advogado Pedro Paulo, religioso pediu o afastamento como forma de contribuir para a investigação.

Segundo a nota, assinada por Dom Washington Cruz e pelo padre André Ricardo de Melo, “a Igreja Católica em Goiânia foi surpreendida com a ação do Poder Judiciário e do Ministério Público do Estado de Goiás, em face da Afipe e do padre Robson de Oliveira Pereira”. Ainda no texto, a arquidiocese e a Província dos Missionários Redentoristas de Goiás dizem estar abertas a apurar quaisquer denúncias em desfavor de seus membros. Ele será substituído pelo padre André Ricardo de Melo, provincial dos Missionários Redentoristas de Goiás.

O padre fez seu mestrado em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano. Ao voltar de Roma tornou-se reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno. Padre Robson lançou o primeiro CD de sua carreira, “Nos Braços do Pai”, gravado nos dias 6 e 7 de setembro de 2010 no Santuário Basílica. A Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe). A entidade é responsável pelo Santuário Basílica de Trindade, cidade na Região Metropolitana de Goiânia conhecida como a “capital da fé” do estado.

Operação Vendilhões

Possíveis crimes de apropriação indébita, lavagem de capitais, organização criminosa, sonegação fiscal e falsidade ideológica praticadas pelos dirigentes das três associações ligadas à Igreja Católica em Trindade, que recebiam doações em dinheiro de fiéis, estão sendo investigados pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO), por intermédio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), na Operação Vendilhões. Foram bloqueados judicialmente R$ 60 milhões em bens imóveis e valores em contas bancárias dos envolvidos.

Na operação, foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão na sede das associações, empresas e residências em Goiânia e Trindade, expedidos pelo Juízo da Vara de Feitos Relativos a Organizações Criminosas e Lavagem de Capitais, em decisão da juíza Placidina Pires. Foi encontrado dinheiro nos locais das buscas e apreensões, cujo valor ainda está sendo contabilizado. Participaram da operação 20 promotores de Justiça, 52 servidores do MP-GO, 4 delegados, 8 agentes da Polícia Civil e 61 policiais militares.

Doações de fiéis

Durante a entrevista coletiva, o procurador-geral da Justiça de Goiás, Aylton Flávio Vechi, afirmou que a investigação buscou apurar o proveito eminentemente econômico da fé e da devoção de milhares de pessoas, respaldado nas doações para a construção da nova Basílica de Trindade e no atendimento aos fiéis. Segundo ele, faz-se necessário garantir a reparação dos danos que podem ter sido causados pela conduta.

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