Polícia revela conversa entre mãe e babá de Henry: ‘Estou apavorada’

Prints apontam que babá relatou que Henry sofria violência; delegado diz que Monique Medeiros protegeu Dr. Jairinho

Rio de Janeiro – A Polícia Civil do Rio está convencida de que o menino Henry já sofria agressões antes de se morto há um mês. Trocas de mensagens entre a mãe Monique Medeiros – presa nesta quinta-feira (8) junto com o namorado, o vereador Dr. Jairinho- e a babá apontaram para uma “rotina de violência”, segundo o delegado responsável pelo caso. As conversas foram reveladas depois que os investigadores apreenderam os telefones dos envolvidos em uma operação.

A polícia usou o software Cellebrite para analisar os materiais apreendidos nos mandados de busca e apreensão. A investigação analisou os laudos já produzidos e concluiu que não resta dúvidas sobre a autoria do crime. Henry apresentava lesões nos rins e no pulmão, por exemplo, e sangramentos internos, incompatíveis com um eventual acidente. Ainda há outros laudos pendentes e, por isso, o pedido foi de prisão temporária; a investigação continua.

Troca de mensagens ocorreu no dia 12 de fevereiro, um mês antes da morte de Henry (Foto: Reprodução)

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Jairinho e Monique são suspeitos de cometer homicídio duplamente qualificado com emprego de tortura e sem capacidade de defesa da vítima. A prisão temporária, válida por 30 dias, foi justificada pela tentativa de atrapalhar as investigações. Ainda não houve denúncia.

Veja a transcrição da troca de mensagens entre a mãe de Henry, Monique Medeiros, e a babá do menino, no dia 12 de fevereiro, sobre a criança estar no quarto com o padrasto Dr. Jairinho:

Babá:  Aí logo depois Jairinho chamou ele para ver que comprou algo

Monique: Chama

Monique: Aí meu Deus

Babá: Aí ele foi para o quarto

Monique: Estou apavorada

Babá: De início gritou tia

Babá: Depois tá quieto

Babá: Aí eu respondi oi

Babá: Aí ele nada

Monique: Vai lá mesmo assim

Babá: Tá

Monique: Fala assim: sua mãe ligou falando para vc ir na brinquedoteca brincar com criança

Monique: E fica lá um tempo

Monique: Jairinho não falou que ia pra caaa

Monique: Casa

Babá: Então eu chamo e nenhum dos dois falam nada

Monique: Bate na porta

Babá: Não respondem

Monique: Thaina

Babá: E só escuto voz de desenho

Babá: Acho melhor você vir

Monique: Entra no quarto mesmo assim

Babá: E daí se tiver acontecendo algo você vê

Babá: Fico com medo do Jairinho não gostar da invasão

Babá: Pera vou tentar abrir a porta

Monique: Ele não tem que gostar de nada

Babá: Abriu a porta do quarto

Monique: E aí?

Monique: Aí meu pai amado

Babá: FOTO (abraçada com o menino)

Monique: Deu ruim?

Monique: Sabia

Monique: Pergunta tudo

Monique: Pergunta o que o tio falou

Babá: Então agora não quer ficar na sala sozinho

Babá: Só quer ficar na cozinha

Babá: Jairinho falou thayna deixa a mãe dele fazer as coisas

Monique: Pergunta se ele quer vir pro o shopping?

Babá: Não liga não

Babá: Não tô falando com ela não

Babá: Tô falando com minha mãe

Babá: Aí ele ah tá

Babá: FOTO (selfie com o menino)

Babá: Tô sentada com ele na sala

Babá: Vendo desenho

Monique: Fala que ele vai na brinquedoteca

Monique: E eu mando um uber

Babá: A Rose ta fazendo as coisas

Monique: Ai meu Deus

O que diz a polícia

Em entrevista coletiva, o delgado Henrique Damasceno, da 16ª DP (Barra da Tijuca), afirmou que as mensagens e o laudo da necropsia, que apontam múltiplas lesões no corpo da criança, demonstraram que a versão apresentada pelo casal no início da investigação de família harmoniosa era uma “farsa”.

“Alguns pontos desses prints nos chamara muito a atenção. A babá fala que o Henry relatou a ela – isso em uma conversa com a mãe – que o padrasto o pegou pelo braço e deu uma banda (um chute). Ficou bastante claro que houve lesão ali. Em continuidade, a própria babá falou que Henry estava mancando e que ele não deixou lavar a cabeça na hora do banho porque estava com dor.”

O delegado Henrique Damasceno ressaltou que o fato não foi comunicado à polícia e que mãe não afastou o agressor do convívio da criança, o que não seria somente uma obrigação moral como também legal, conforme a legislação brasileira.

Para Damasceno, Monique ainda apresentou uma versão “mentirosa” durante o depoimento sobre a morte do filho para proteger o assassino de Henry.

“Não há a menor dúvida de que ela se omitiu, quando a lei exigiu o que ela deveria fazer, como também concordou, aceitou esse resultado”, declarou o delegado.

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