Saiba como garantir a segurança do seu pet durante viagem de avião

Morte de cachorro filhote da raça Golden Retriever após um voo entre SP e RJ reacendeu preocupação; especialista dá dicas simples

São Paulo – morte de um filhote de Golden Retriever após embarcar em um voo de São Paulo com destino ao Rio de Janeiro, relatada pela tutora Gabriela Duque Rasseli em suas redes socias, reacendeu a frequente preocupação sobre como garantir a segurança dos pets em viagens aéreas.

(Foto: Reprodução / Redes Sociais)

As regras para viajar de avião com animais de estimação são determinadas pelas companhias áereas. A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) faz apenas duas exigências básicas: apresentação da carteira de vacinação, contendo vacina antirrábica, aplicada há mais de 30 dias e válida por 1 ano, e comprovação de que o pet está saudável no momento da viagem, por meio de atestado médico, com validade de 10 dias.

O especialista em comportamento animal André Gaspar afirma que o mais importante é prestar atenção no atendimento e preparo dos profissionais da empresa em relação a esse assunto.

“É preciso observar o cuidado que a pessoa tem com o animal, fazer o máximo de perguntas sobre isso. E a pessoa tem de estar apta para responder a essas questões”, orienta.

Ele explica que há duas situações em que o pet pode viajar na cabine do avião, ao lado do tutor: quando a soma do peso do animal e da caixa de transporte não ultrapassa 8 kg e quando trata-se de um cão de serviço, como é o caso de cães-guia.

Segundo André, nenhuma companhia aérea faz o transporte de cães que têm focinhos achatados – como é o caso dos que pertencem às raças Buldogue Francês/Inglês e Pug – pois a troca de calor deles com o ambiente é ruim, o que aumenta o risco de aumento excessivo da temperatura corporal.

Adaptação à caixa de transporte

A primeira dica que o profissional dá aos tutores a fim de garantir que seus pets viagem com segurança e conforto é fazer com que eles se acostumem a ficar dentro da caixa de transporte. “Quando ele [animal] não está acostumado, a ansiedade dele aumenta e isso faz com que não beba água e sua temperatura suba”, explica.

Ele acrescenta que uma das maneiras de fazer essa adaptação é´utilizando a técnica de estímulo positivo, pelo menos um mês antes da viagem.

“A gente joga petisco lá dentro (da caixa) para o animal entrar, coloca cobertor, cama, para que ele se sinta confortável e seguro lá dentro. E aí, quando ele começa a entrar sozinho [sem uso de petiscos, eu fecho e abro a porta, dou uma recompensa e vou aumentando esse intervalo de tempo entre uma recompensa e outra até ele conseguir dormir na caixa com a portinha fechada”, descreve o profissional.

Em um primeiro momento, a caixa fica no quarto do dono, para que ele possa monitorar o animal. Depois, é possível colocá-la em um lugar mais distante. “É sempre um treinamento gradativo”, ressalta.

Caixa arejada e clara

O especialista observa ainda que o Golden Retriever, inclusive, estava em uma caixa completamente fechada, o que é o contrário do ideal. “A caixa deve ter entrada de ar nas laterais e uma cor muito clara na parte de cima, para não absorver calor”, descreve. Ele acrescenta que ainda é possível colocar um “tapetinho gelado” na parte inferior da caixa a fim de manter uma temperatura mais baixa.

É responsabilidade do tutor providenciar a caixa para que o animal seja transportado durante a viagem, que deve obedecer às especificações de tamanho de cada companhia aérea. Porém, de acordo com André, existe uma regra geral que deve ser cumprida: o animal deve ser capaz de entrar na caixa de pé, caminhar até o fundo dela, ser capaz de dar uma volta completa em torno de si mesmo e voltar para a parte dianteira do equipamento.

Cuidado com horários de embarque e desembarque

Outro aspecto importante é escolher voos com embarque e desembarque feitos fora de horários de pico, para que o pet não passe calor e nem tenha aumento excessivo de temperatura corporal. “O ideal é optar por aqueles que não cheguem (no destino) no horário do meio-dia ou das 14 horas”, exemplifica o profissional.

Todo aeroporto tem veterinários que são responsáveis por fazer o embarque e o desembarque de animais. André recorda de uma ocasião em que ele demorou quatro horas para liberar um cachorro.

“Vai demorar entre uma hora e meia e duas horas, no mínimo, para liberar o animal. Quando o voo é internacional, demora mais tempo. Esse é o trâmite do aeroporto, não é nem da companhia aérea. Então, é preciso buscar horários alternativos para que não tenha problemas de hipertermia”, enfatiza.

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