Teori: piloto insistiu em pouso com baixa visibilidade, diz FAB

Acidentes aéreos não têm apenas uma causa, mas diversos fatores, que, no caso foram as condições climáticas e a desorientação espacial do piloto

Brasília – Relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu que a visibilidade em Paraty (RJ) era menor do que a recomendada para uma tentativa de pouso na pista da cidade na tarde de 19 de janeiro de 2017. Naquele dia, o avião que levava o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), e outras quatro pessoas caiu no mar, matando todos a bordo. O relatório final de investigação do Cenipa, órgão ligado à Aeronáutica, foi divulgado nesta segunda-feira e sugere que o piloto Osmar Rodrigues insistiu no pouso mesmo assim. Além disso, foi apontada a possível ocorrência de ilusões visuais que podem ter desorientado o piloto.

Teori era o relator dos processos da operação Lava Jato no STF, tendo sido substituído nesse papel, após sua morte, pelo colega Edson Fachin. Isso levou à especulação quanto a uma possível sabotagem. Mas o relatório do Cenipa não encontrou elementos que sustentassem essa hipótese.
“Naquele momento, não havia as condições mínimas de visibilidade requeridas para as operações de pouso e decolagem. Da mesma forma, o campo visual do piloto estava restrito e com poucas referências visuais no solo para sua orientação”, afirmou o investigador do Cenipa encarregado do caso, o coronel aviador Marcelo Moreno.

Os dados extraídos da aeronave mostraram inclusive que, minutos antes do acidente, o piloto preferiu esperar mais algum tempo antes de tentar o pouso. “Após a primeira tentativa de aproximação, ele recolheu o trem de pouso e disse que ia esperar um pouco”, disse Moreno.
A investigação apontou a existência de condições que favorecem a existência de algumas ilusões que podem levar um piloto a se desorientar quando faz uma curva. Mas não cravou que isso tenha ocorrido. Apenas sugeriu que ele tenha passado por esse fenômeno. “Esse tipo de ilusão é potencialmente perigoso, em especial em voos de baixa altitude”, afirmou Moreno.

Outra ilusão que pode ter ocorrido é a falsa percepção da altura da aeronave. O piloto podia achar que estava a uma altitude maior do que realmente estava. Isso é mais comum em superfícies homogêneas, com poucos detalhes, como é o caso da água. O problema tende a ser pior em condições de baixa visibilidade.

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