Tributarista afirma que Lava Jato usou os dados cruzados da receita

Márcio Miranda Maia disse que pessoas especialistas em fraude não estavam preparadas para isso”

São Paulo – Conversei com o advogado tributarista Márcio Miranda Maia para meu canal Daniel sem regras. O profissional falou sobre cruzamento de dados pela Receita Federal, operação Lava Jato e a forma como os sistemas evoluíram e surpreenderam até mesmo especialistas em fraude nos últimos anos. A digitalização foi a grande vedete desses cruzamentos, com tecnologias que se conectam, se comunicam e permitem maior eficácia nas investigações feitas pelo fisco.

(Foto: Pixabay)

Se você ainda não assistiu, vale a pena conferir a íntegra da entrevista assistindo ao vídeo abaixo. Afinal, nada melhor que ouvir recomendações de quem entende do assunto. E o Dr Márcio entende muito. Por isso, não deixe de assistir e aprender ainda mais com os outros tópicos abordados pelo advogado.

Veja aqui o vídeo da entrevista com Márcio Miranda Maia https://www.youtube.com/watch?v=C7Ln-LBd-t4

Saiba mais sobre o Dr Márcio Miranda Maia

O tributarista Dr Márcio Miranda Maia tem experiência fiscal em mais de um estado, já que foi fiscal da Receita Estadual de Santa Catarina e São Paulo, onde coordenou a implantação da Substituição Tributária. Formado em Direito, Maia diz que a profissão e a área que escolheu permitem-no ajudar contribuintes a entender mais as regras fiscais, enfrentar eventuais excessos e evitar erros, além de alertar para riscos. Maia é um dos sócios do escritório Maia e Anjos, especializado em direito empresarial e tributário https://maiaeanjos.com.br

Lava Jato surpreendeu com cruzamentos

“A Lava Jato usou os dados cruzados da receita, e mesmo as pessoas especialistas em fraude não estavam preparadas para isso”, diz Maia. “Os dados digitais estão no Fisco, estão lá dentro”, complementa. 

Basicamente, quem achava que entendia de contabilidade e direito tributário para fazer fraudes, na época, subestimou ou desconhecia a tecnologia e os dados existentes e passíveis de cruzamento à disposição da Receita Federal. “Com certeza ninguém estava preparado para isso”, diz o advogado.

Receitas estaduais e federais cruzam dados

Márcio Moreira Maia lembra que durante a Lava Jato foram usados dados bancários para fins de identificação do fluxo de dinheiro. “Vendo as matérias na imprensa é possível perceber que a fiscalização dos estados é muito ativa na Lava Jato. Na hora que se identificava o trânsito do dinheiro logo em seguida entrava a Receita Federal para identificar as operações comerciais ou serviços que deram origem ao fato e logo em seguida vinham as autuações em cima dessas notas frias que eram identificadas”, exemplifica. 

Esse é mais um exemplo de cruzamento de dados, que hoje acontece permanentemente entre os órgãos, gerando uma rede de informações praticamente impossível de ser interceptada. Um incêndio em um órgão público já não faz mais com que se percam todos os dados de um processo, por exemplo. A digitalização está cada vez mais presente.

Dados de banco são cruzados

O tributarista afirma que hoje, com um clique, é possível a Receita Federal identificar todas as notas de um determinado contribuinte. Além disso, os bancos informam o fisco mensalmente sobre as transações.

As mudanças geradas pela tecnologia, pela digitalização e pela possibilidade de cruzar dados de bancos e instituições financeiras foi um grande passo evolutivo no trabalho da Receita.

Antes, as empresas tinham notas em papel, talões que demoram ser conferidos. O fisco só ia perceber algo errado depois de um ano, cinco anos, ou mais tempo depois para dar tempo de revisar os documentos. Hoje é tudo mais ágil. “Alguém tinha que pegar para olhar”, relata. Agora, é quase tudo automático.

Sistema começou a operar em 2008 e 2009, ninguém estava preparado

A Lava Jato nasceu em um “limiar de eras”, diz Maia, em que ninguém estava preparado para a eficiência dos órgãos regulatórios que existem nos dias de hoje. “Mudou a forma de atuação dos órgãos de controle”, acrescenta o tributarista.

A digitalização facilitou a fraude, por um lado, pois é tudo muito rápido, inclusive com a possibilidade de abertura de empresas para lavagem de dinheiro, mas também facilitou o trabalho da fiscalização.

Houve uma mudança em que os meios de fiscalização ficaram muito mais eficazes e a atuação dos órgãos ficou muito mais efetiva. “Não é à toa que a Receita Federal bate recordes atrás de recordes, porque a eficácia aumentou muito”, reflete Maia.

Gostou deste conteúdo? Siga acompanhando as informações neste canal. Assista a entrevista completa e saiba mais sobre a Receita Federal e como sua empresa pode otimizar os seus recursos a partir do conhecimento das normas e monitoramento fiscal.

Autor: Daniel Bender

Sobre: Jornalista e consultor de empresas. Veja mais no canal Daniel sem regras.

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