Abusos contra crianças no AM em alta; internet é risco

Semelhante ao que ocorre há mais tempo fora do Estado, os jogos interativos da internet passaram a ser usados com mais frequência pelos pedófilos

Manaus – O estupro de uma criança de um ano, na semana passada, pelo próprio primo no município de Tefé retoma a discussão sobre a incapacidade dos órgãos públicos de prevenir crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes no seio familiar. O impasse é como fiscalizar a ação de quem deveria proteger? O caso do bebê de Tefé chocou policiais, médicos e conselheiros tutelares que acompanham o estado grave da menina no hospital. Mas a criança faz parte de uma estatística lamentável que só cresce a cada ano. Dados da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) dão conta de que o número de crianças que sofreu violência sexual no Amazonas saltou de 1.136, em 2018, para 1.283 casos, em 2019, com aumento de 13%. Nem a pena de até 15 anos de prisão amedronta quem comete a crueldade, que, agora, também se utiliza de meios virtuais para atrair suas vítimas. Semelhante ao que ocorre há mais tempo fora do Estado, os jogos interativos da internet passaram a ser usados com mais frequência pelos pedófilos no Amazonas e a polícia pede aos pais para ficarem em alerta.

Nos encontros

A titular da Depca, Joyce Coelho Viana, disse que os casos de estupro de adolescentes, principalmente, vêm ocorrendo a partir de encontros marcados pela internet. “Infelizmente, isso tem se tornado a cada dia mais comum no estado”, afirmou a delegada.

Números reais

Há dois anos à frente da Depca, Joyce Coelho admite que as estatísticas oficiais estão longe da realidade. Muitas crianças e adolescentes que não denunciam os abusadores por medo ou vergonha.

‘Cassada’ a Guedes

O governador Wilson Lima e membros da bancada do Amazonas devem iniciar na nesta semana uma verdadeira ‘cassada’ ao ministro da Economia, Paulo Guedes, a quem o presidente Jair Bolsonaro deu a missão de rever o IPI do Polo de Concentrados da Zona Franca.

Quem resolve

Para evitar desgaste político e se eximir de culpa, Bolsonaro tem dito que desconhece a política tributária do Polo Industrial de Manaus (PIM) e que prefere dar ao seu guru, na Economia, o trabalho de avaliar o caso.

Enquanto isso…

À medida que demora a definição do governo de reavaliar o IPI na produção de bebidas no PIM, empresários já contabilizam prejuízos com a redução de 10% em dezembro para 4% em janeiro no Imposto sobre Produtos Industrializados.