‘Infiltrados’ do TRE vão frequentar cultos religiosos

O poder de persuasão dos líderes religiosos sobre os fiéis nas eleições ligou o alerta de membros do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM)

Manaus – O poder de persuasão dos líderes religiosos sobre os fiéis nas eleições ligou o alerta de membros do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM) com a visita do presidente da República, Jair Bolsonaro, a um culto da Igreja Assembleia de Deus, em Manaus, na quarta-feira, 27, e os posteriores desdobramentos do evento. No dia seguinte, Bolsonaro falou sobre o interesse de haver um candidato próprio para a disputa à Prefeitura de Manaus pelo seu novo partido, o Aliança pelo Brasil. Depois, o deputado federal Silas Câmara (PRB) – dirigente da Assembleia de Deus – distribuiu, ontem (28), nota à imprensa informando que “pode disputar a Prefeitura de Manaus nas eleições de 2020”. No TRE, chegou-se ao consenso sobre a importância de haver fiscais da Justiça Eleitoral nos cultos da capital e interior, independentemente da religião, para coibir o crime eleitoral que passou a ser conhecido como “abuso de poder religioso” – que é o abuso de poder econômico associado ao uso indevido dos meios de comunicação -, e evitar que lideranças usem a fé do povo para induzi-lo à escolhas eleitorais.

Caso recente

O TRE-AM julgou caso recente de abuso de poder religioso envolvendo o vereador de Manaus, Fred Mota (PL), que foi acusado de ser eleito com o apoio de uma igreja evangélica, nas eleições de 2016.

‘Vitória da Igreja’

No dia da eleição, Fred foi levado ao altar por um dos dirigente da igreja que falou: “Deus dará a vitória a Fred, porque a vitória dele é a vitória da Igreja”, além de outras declarações. Mota foi absolvido.

‘Prestígio’ pessoal

Tema de nota da Coluna Claro&Escuro ontem (28), a verdadeira intensão de Silas Câmara ao chamar Bolsonaro para a Assembleia de Deus foi confirmada por ele mesmo. Ao se lançar candidato a prefeito de Manaus, o parlamentar argumentou que tem ‘prestígio’ com o presidente.

Folha

A presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Yara Lins admitiu representação ingressada por ASBZ Advogados contra a Prefeitura de Lábrea por retenção indevida dos créditos descontados da folha de pagamento dos servidores públicos daquela cidade.

*Com a colaboração de Álisson Castro e Breno Pacheco

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