Após falta de oxigênio, AM teve alta de 41% em mortes pela Covid-19

Houve uma falta do insumo nos hospitais na madrugada e na manhã de 14 de janeiro, o que levou médicos a escolher entre pacientes que tinham mais chances de sobrevivência

Manaus – As mortes por Covid-19 no Amazonas registraram uma alta de 41% após a crise na saúde do Estado por conta da falta de oxigênio nos hospitais de Manaus. Houve uma falta quase que sincronizada do insumo nos hospitais na madrugada e na manhã de 14 de janeiro, o que levou médicos a terem de escolher entre pacientes que tinham mais chances de sobrevivência para receber os insumos. O levantamento foi feito pelo site UOL.

Segundo a fundação, em 14 de janeiro, 258 pessoas foram internadas em hospitais do estado —o recorde até aqui na pandemia (Foto: Divulgação)

Ainda segundo o site UOL, neste dia, o Estado registrou o recorde de mortes por Covid-19 na pandemia: 159 em apenas 24 horas. Até então, o maior número tinha ocorrido no dia 12, com 113 mortes. Nos cinco dias antes da falta de oxigênio, o Amazonas havia registrado 500 mortes por Covid-19, ou em média cem por dia. Entre os dias 14 e 18, entretanto, esse número saltou para 706 óbitos —média de 141 por dia. Os dados utilizados, nesse caso, são de mortes por dia, não o de registros diários de mortes coletados pelo consórcio de imprensa do qual o site UOL faz parte. O consórcio inclui mortes ocorridas em dias anteriores, mas confirmadas pela secretaria estadual laboratorialmente naquela data.

O site UOL informou ainda que, o salto fora da curva ocorrido no dia 14 foi completamente fora do padrão. “Sem dúvida tivemos um impacto significativo da falta de oxigênio nesse número. Nós estávamos em uma curva de crescimento e a cada dia visualizávamos um número maior de óbitos. Mas o aumento verificado no dia 14, foi extremamente importante e acima do esperado”, afirmou o infectologista Bernardino Cláudio de Albuquerque, que é professor da Ufam (Universidade Federal do Amazonas) e pesquisador da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) Amazônia,

Após o dia 14, o número de hospitalizações passou a cair bastante. Segundo a fundação, em 14 de janeiro, 258 pessoas foram internadas em hospitais do estado —o recorde até aqui na pandemia.

No dia seguinte, despencou para 169 e, no dia 16, para 113. “Depois que a bomba estourou, houve uma redução importante nas internações. As pessoas não procuraram mais as unidades de saúde com medo de morrerem lá dentro por falta de oxigênio. Isso é outra correlação importante: todo mundo ficou receoso em procurar um hospital e não ter a atenção devida”, diz. Além disso, unidades de saúde também pararam de receber pacientes por falta de vagas.  Foi o caso do Hospital 28 de Agosto, o maior pronto-socorro de Manaus, que desativou a triagem no dia 15 e deixou pacientes sem atendimento.

Conforme informa o site UOL,  a falta ou mesmo a limitação na oferta de oxigênio a um paciente com covid-19 tem impacto negativo relevante. “A oxigenoterapia é parte essencial do tratamento. A falta de oxigênio aumenta a letalidade da doença”, afirma a infectologista Vera Magalhães. Também pode causar agravamentos de quadros e resultar em mais mortes. O epidemiologista Paulo Lotufo, da USP (Universidade de São Paulo), analisou a explosão de mortes no Amazonas. “Houve o aumento da incidência de casos graves somada à [maior] letalidade hospitalar pela falta de oxigênio. A causa básica foi o aumento da transmissão, com aumento de casos e, depois, de casos graves que necessitaram de de internação. Mas, se todos hospitais estivessem bem equipados, haveria mortalidade, mas não a esse nível —o que acabou afetando também quem não tinha covid-19.”

Anúncio