‘Cenário de guerra’: toque de recolher é anunciado em Manaus

Com a falta de oxigênio nos hospitais, pacientes serão transferidos para unidades em outros Estados

Manaus -Em live nas redes sociais, o governador do Amazonas, Wilson Lima, anunciou toque de recolher em Manaus, proibindo o comércio e a circulação de pessoas das 19h até às 6h. A exceção será para atividades essenciais das áreas de saúde, segurança e para a imprensa. O funcionamento de farmácias será limitado a modalidade delivery. Não foi informado o período da validação do novo decreto.

Por conta do colapso da saúde na capital e a falta de oxigênio nas unidade hospitalares, pacientes de Manaus serão encaminhados para Brasília, além dos Estados Piauí, Maranhão, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Acesse aqui e confira o decreto na íntegra

Anunciado pelo governador Wilson Lima, toque de recolher em Manaus proíbe o comércio e a circulação de pessoas das 19h até às 6h (Foto: Reprodução)

Jovens entre os mais infectados

Diferente do primeiro pico da Covid-19 no Amazonas, registrado entre os meses de abril e maio de 2020, o perfil de pacientes infectados agora é outro. Segundo o representante do Ministério da Saúde, coronel Franco Duarte, que acompanha a pandemia em Manaus, os jovens estão entre os mais infectados nessa segunda onda da doença.

Em abril, idosos e pacientes com comorbidades eram a maioria entre os doentes. Por conta dessa mudança, o consumo de oxigênio tem sido mais necessário do que em 2020, conforme explicou o coronel Franco Duarte.

“Hoje o perfil do paciente Covid é com a idade mais nova. Com essa idade nós somos mais fortes para enfrentar o vírus, e essa ‘durância’ dos nossos pacientes nos leitos de UTI e clínicos, faz com que aconteça uma sobrecarga na demanda da rede. Então, é diferente quem toma alta mais rápida ou não, por que eles ficam nos leitos por mais tempo, por que a idade favorece”, disse.

Mutação viral

O Ministério da Saúde confirmou a presença de uma nova cepa variante em Manaus, que é mais veloz, o que vem causando uma grande verticalização da curva de contaminados na capital.

Com uma alteração na taxa de transmissão da doença, de cada 100 pessoas, 130 estão sendo infectadas a cada sete dias.

“Estamos vivendo um tsunami. Essa velocidade só foi observada entre abril e maio de 2020”, revelou a coordenadora da Comissão de Prevenção e Controle de Infecção em Serviços de Saúde, Tatyana Amorim.

O relaxamento do isolamento social e na adoção das medidas de prevenção motivaram esse aumento de casos. As aglomerações e festas de fim de ano também contribuíram, assim como a possibilidade de uma nova variante do vírus no Amazonas.

***Matéria atualizada às 16h53***

Anúncio
Anúncio