Clínicas renais cobram do governo pagamentos atrasados desde janeiro

Unidades também cobram outros débitos que estão em aberto dos anos de 2019 e 2018, o que poderá resultar no fechamento desses estabelecimentos

Manaus – A crise na Saúde agravada pelo coronavírus atinge também o tratamento de hemodiálise para pacientes com doenças crônicas renais. As clínicas responsáveis pelos serviços de assistência nefrológica aos doentes encaminhados por unidades públicas de Manaus estão sem receber desde janeiro do Governo do Amazonas, além de cobrarem outros débitos que estão em aberto dos anos de 2019 e 2018, o que poderá resultar em fechamento dessas unidades.

Ainda na noite desta quinta-feira (9), outras 14 empresas que prestam serviços para o governo do Estado emitiram um documento onde cobram pelo pagamento dos serviços prestados. As empresas atuam no fornecimento de materiais para o combate ao Covid-19.

Os pacientes enviados pelo Hospital e Pronto-Socorro (HPS) 28 de Agosto, HPS Platão Araújo e HPS João Lúcio estão situação delicada pelo agravamento do quadro do Covid-19, que exige cuidados redobrados. Essas clínicas alegam poucos recursos caixa pela falta de pagamento do governo para atender as recomendações de boas práticas no período de pandemia, conforme protocolo estabelecido pela Sociedade Brasileira de Nefrologia em março deste ano, o que poderá resultar no fechamento destas clínicas.

Por meio de nota, a Susam informou que os pagamentos estão em dia (Foto: Divulgação/Susam)

As clínicas que preferem ter os nomes omitidos apontam, ainda, que  os preços dos insumos regulares para prestação do atendimento registraram  aumento de mais de 500% entre os meses de dezembro de 2019 e março de 2020, devido ao vertiginoso aumento da cotação do dólar nesse período e a escassez provocada pela pandemia.

Diferente de outras doenças crônicas, que podem seguir o tratamento em isolamento, os portadores de Insuficiência Renal Crônica precisam ir ao menos três vezes por semana para as clínicas de hemodiálise, onde são submetidos à terapia de substituição renal, que garante a sua sobrevida, apesar do risco iminente de contágio.

Documentos relatando os problemas enfrentados pelas clínicas de hemodiálise e cobrando o pagamento dos débitos do Governo do Amazonas, além de sugestões para a melhora dos atendimentos aos pacientes foram enviadas no dia 18 de março de 2020 para a diretora presidente da Fundação em Vigilância e Saúde (FVS-AM), Rosemary Pinto e para a secretária executiva adjunta da capital, Dayana Priscila Meija de Souza. A menos de uma semana para completar um mês de envio, as clínicas ainda não obtiveram retorno.

Sem nenhuma resposta dos órgãos, um novo documento foi enviado no dia 21 e 24 de março de 2020, para o até então secretário da Saúde do Estado, Rodrigo Tobias, o qual também não obteve resposta.

Irresponsabilidade

Para o  presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam), Mario Vianna, o isolamento amplo sem levar em conta os aspectos médicos foi uma atitude qualificada de “irresponsável” do governo do Estado,  e que o Simeam alertou sobre as consequências.

“É óbvio que os pacientes crônicos precisam de acompanhamento laboratorial. Por isso pacientes nefrológicos e de outras especialidades, não podem ficar sem atendimento. Suspender o atendimento é absurdamente errado. A gestão de Saúde de forma equivocada mandou suspender tudo. Acredito que faltou critério  e experiência dos gestores, mas o Simeam desde o início fez esta observação”, criticou.

Clínicas de hemodiálise podem fechar por falta de pagamento

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Posted by D24am on Thursday, April 9, 2020

Susam diz pagar

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde (Susam) informou que os pagamentos estão em dia e que “as despesas com os contratos do serviço de hemodiálise já estão empenhadas, à medida que as empresas forem apresentando os processos de execução dos serviços, serão analisadas as conformidades legais e instruídas para liquidação”, diz o texto.

Ofício para FVS

Ofício para Seacs

Ofício para Susam

Ofício para Susam 2

Falta de materiais

Na noite desta quinta-feira (9), outras 14 empresas emitiram um documento onde requerem do governo do Estado o pagamento dos serviços prestados. As empresas atuam no fornecimento de materiais para o combate ao Covid-19.

As empresas que assinam a nota são ICEA, IGOAM, Anestesiologistas Associados do Amazonas, Cooped, Coopati, Cardio Baby, Cooap, Univasc, ITOAM, ImedAM, CNA e Cooperclim.

De acordo com o documento, o Hospital Dephina Aziz, referência para os casos de Covid-19, continua funcionando com menos da metade de sua capacidade de leitos, e não oferece suporte necessário. Conforme o texto, há escassez nos insumos e medicamentos essenciais, falta de organização da Rede para evacuar os doentes crônicos dos prontos socorros, além do atraso e imprevisibilidade no pagamento aos profissionais da saúde que correm risco de contaminação.

“Este esforço acontece mesmo sem espaço, sem suporte de recursos humanos adicionais ou reforço dos EPI’s, tentando isolar os fluxos para proteger os doentes já debilitados. Porém sem o devido suporte da administração pública, mais e mais pessoas estão morrendo antes mesmo de conseguirem vaga nos prontos-socorros, em especial pacientes do interior do Estado”, destaca a nota.

Confira, abaixo, o documento na íntegra.

Nota de Esclarecimento à População

 

***Matéria atualizada às 0h21***

 

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