Covid-19 já matou 2,7 mil em Manaus, diz site

Dado é de uma ferramenta criada por alunos de Campinas (SP), e tem como objetivo mostrar os efeitos da pandemia. Atualmente as mortes oficiais na capital somam mais de 1,3 mil

Manaus – Ferramenta desenvolvida por uma faculdade de Campinas (SP) projeta que o número real de mortes por Covid-19, apenas na capital do Estado, já passa dos 2,7 mil, enquanto os dados oficias até a última sexta-feira (29), apontavam 1.349 mortes.

De acordo com a ferramenta Covid-Excess, da Faculdade São Leopoldo Mandic, o número real de mortes pelo novo coronavírus, em Manaus, é de  2.766 ou seja o número de mortes de fato, é estimado ser 105% maior do que o registrado pelo sistema de vigilância dos estados e do Ministério da Saúde (MS).

Os dados da ferramenta estão disponíveis aqui e levantou as subnotificações também em outras cinco capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Fortaleza e Recife. O método é baseado no cálculo do número de mortes esperadas para 2020 com base na mortalidade observada no ano passado.

Os dados são coletados diariamente no Portal de Transparência do Registro Civil, mantido pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (ARPEN Brasil). A iniciativa, que conta com apoio de alunos da graduação de Medicina e pesquisadores de outras instituições, usa metodologia já em uso em países europeus e nos Estados Unidos para avaliar o número de mortes anuais por influenza, mas que tem sido aplicada com sucesso nestes países para estimar o total de vítimas da Covid-19.

“A ferramenta tem como objetivo mostrar os efeitos da epidemia da Covid-19 na mortalidade geral. Observamos que o número de mortes tem sido muito maior do que o sistema de vigilância epidemiológica consegue captar, isto é particularmente grave em cidades como o Rio de Janeiro e Manaus”, diz o médico epidemiologista da Faculdade São Leopoldo Mandic e responsável pelo Covid-Excess, André Ricardo Ribas de Freitas.

Pico de enterros em cemitérios de Manaus ocorreu em abril (Foto: Semcom/ Divulgação)

“O Covid-Excess mostra que, em Manaus, os casos de Covid-19 estão sendo subestimados. A estimativa é de que há 2,4 vezes mais casos do que os notificados pela Vigilância, porque tem se observado um aumento súbito de morte em geral na mesma época em que há o coronavírus e não há outro fenômeno ocorrendo que explique isso. Ainda que não tenha sido registrado como Covid-19 no óbito, as mortes só se justificam por conta da pandemia. Com certeza, a maioria dos casos de excesso de morte são em decorrência da Covid-19”, acrescenta o epidemiologista.

Para Ribas, Manaus foi a cidade que teve a pior situação por conta da transmissão, porém, a pior parte já passou. ”Há três semanas consecutivas estamos observando uma diminuição no número total de mortes. De alguma forma, a transmissão está diminuindo. Por outro lado, vemos que o Rio de Janeiro ainda apresenta uma crescente nos números de casos, sem ainda conseguir estabilizar ou diminuir”, compara.

Demanda de voos internacionais contribuiu para alta de casos

O epidemiologista André Ricardo Ribas de Freitas destaca que Manaus foi uma das primeiras cidades a começar com uma transmissão significativa. Para ele, provavelmente por conta do movimento de passageiros de voos internacionais e as ações de controle demoraram mais que em cidades como São Paulo.

Com a diminuição no número de casos e a lotação dos leitos nos hospitais, de acordo com os dados oficiais, Ribas avalia que pode significar que a cidade pode começar a fazer alguns movimentos para flexibilizar um pouco o isolamento. Mas alerta que precisa que seja feito de forma cuidadosa para que não haja um aumento no número de casos e a situação saia do controle.

“A Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu alguns critérios para uma reabertura consciente: uma queda sustentada ao longo do tempo no número de casos e os hospitais terem capacidade para atendimento. A avaliação desses dois pontos é que vai determinar o momento mais indicado para o início da saída do isolamento social”, frisa.

O coordenador da ferramenta alerta que há a possibilidade de uma segunda onda do coronavírus em qualquer lugar do Brasil, pois a taxa de pessoas que se infectaram ainda é baixa. De acordo com um estudo da Universidade Federal de Pelotas (RS) pouco mais de 10% da população teve contato com o vírus e há ainda muitas pessoas suscetíveis ao vírus e qualquer facilitação que houver pode acontecer uma segunda onda.

Para evitar que isso aconteça, diz, é preciso ter uma vigilância ativa, isolamento dos casos e manter as precauções: uso de máscaras, higienização das mãos e uso do álcool em gel.