Deputado denuncia Seduc por promover retorno às aulas e esconder casos de Covid-19

Dermilson Chagas informou que o caso mais recente foi o da Escola Estadual Raimundo Gomes Nogueira, que foi interditada na última quinta-feira

Manaus – O deputado Dermilson Chagas voltou a denunciar que o Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Educação e Desporto (Seduc), está expondo alunos, professores e pais à contaminação pelo novo coronavírus ao promover o retorno forçado das aulas 100% presenciais. O parlamentar já denunciou, no primeiro semestre deste ano, quando a Seduc criou o sistema híbrido de aulas, que houve aumento no número de casos de crianças, adolescentes, jovens e docentes com Covid-19 e que foi confirmado, à época, tanto pela Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) quanto pelas entidades representativas dos profissionais de Educação, como o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Amazonas (Sinteam).

(Foto: Francisco Rodrigues / GDC)

O caso mais recente de contaminação em unidades escolares sob a responsabilidade da Seduc foi na Escola Estadual Raimundo Gomes Nogueira, localizada no conjunto Ajuricaba, na zona Centro-Oeste de Manaus, e que atua nos períodos matutino e vespertino com séries de 6º ao 9º ano ensino fundamental II e ensino médio. O deputado recebeu a informação de pais de alunos e de docentes que a escola foi interditada anteontem (9) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Chegou ao meu conhecimento que uma aluna do 6º ano do ensino fundamental apresentou sintomas da doença quando estava na escola e foi encaminhada para a realização do teste rápido e o resultado deu positivo. Por essa razão, a Anvisa acionou uma equipe para fazer a coleta e testagem em massa na escola, tanto em alunos e professores quanto funcionários administrativos. Em seguida, a escola foi fechada, sendo que o retorno das aulas só será realizado após sair o resultado da testagem dos corpos docente e discente e dos administrativos”, informou Dermilson Chagas.

Uma das pessoas ouvidas pela reportagem foi a mãe de um aluno, cuja identidade será mantida em sigilo para não sofrer retaliações, disse que o diretor da unidade, Adriano Góes foi de sala em sala anunciar aos alunos e professores que a escola seria fechada porque tinha sido escolhida para ser uma das primeiras unidades a receber a testagem em massa. Segundo a mãe do aluno, a equipe da Anvisa reagiu e advertiu o diretor que ele não poderia esconder que havia casos confirmados de Covid-19 na escola e que ele teria que dizer a verdade.

Apesar de ter recebido essa orientação da equipe da Anvisa, o gestor da escola preferiu omitir o caso e postou o seguinte aviso no Facebook da unidade escolar: “Informamos que, nesta sexta-feira (10/9), não haverá aula em nossa escola. Assim que confirmado o dia do retorno informaremos por meio dessa rede social e nos grupos das turmas. Atenciosamente, Gestão Escolar E.E.R.G.N.”.

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 Irresponsabilidade

As aulas 100% presenciais na capital iniciaram em 23 de agosto deste ano. Na última quarta-feira (8), o Governo do Amazonas retomou as aulas 100% presenciais nos 61 municípios do estado. Ao todo, 370 unidades de ensino e 217 mil estudantes do interior voltaram a ter aulas de segunda a sexta-feira, com a extinção dos grupos A e B.

O deputado Dermilson Chagas considerou o retorno presencial 100% um ato de irresponsabilidade do Governo do Amazonas, pois, apesar da vacinação estar em andamento, há o surgimento de novas variantes, como a Delta, que oferecem riscos reais aos alunos, professores e pais. Ele disse que nem todas as escolas possuem o aparato de materiais para que se possa manter a segurança, com protocolos de saúde e infraestrutura preparada para receber os alunos.

“Os pais reclamam principalmente que as escolas não têm como controlar e verificar se todos os cuidados com os protocolos e as medidas de segurança, como o uso obrigatório de máscara e a higienização correta das mãos com água e sabão ou com álcool em gel, estão realmente sendo respeitados pelos alunos. O que se vê, na realidade, é que crianças e adolescentes, quando estão em grupo, agem como crianças e adolescentes e se tocam, se abraçam, brincam juntos, conversam juntos e, com isso, acabam se infectando, porque não mantêm o distanciamento social e porque nem todos seguem, de fato, o que é estabelecido”, comentou Dermilson Chagas.

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