Feira é fechada e feirante declara: ‘não temos medo de morrer de coronavírus, mas de fome’

Feira localizada no São José 2 foi ‘fechada’ na manhã deste domingo (5), durante ação da Polícia Militar para cumprimento de decreto

Manaus – Muitos comerciantes continuam desrespeitando o decreto governamental que determina o fechamento de estabelecimentos comerciais que não oferecem serviços essenciais, como supermercados, padarias e farmácias. Boa parte da população também continua nas ruas, descumprindo as recomendações do Ministério da Saúde.

Após denúncia de internautas neste sábado (4), a equipe de reportagem do GRUPO DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (GDC) foi verificar o comércio no bairro Compensa 2, na zona oeste de Manaus. No local, foi constatado que muitos comércios de serviços não essenciais estavam abertos, como lojas de roupas e de variedades.

Durante a reportagem também foi constatada a presença de viaturas da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), na Avenida Oscar Borel. De acordo com o tenente identificado apenas como Otonildo, da 21ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), a equipe está no local para certificar o cumprimento do decreto.

“A Polícia Militar não está apenas no bairro da Compensa, mas em toda Manaus, fazendo essa operação para fechar todos os comércios que não são permitidos ficarem abertos, conforme consta no decreto governamental”, disse.

Na zona norte da cidade, muitos vendedores autônomos comercializavam seus produtos nas ruas ou nos semáforos. Na Avenida Noel Nutels, no bairro Cidade Nova, pessoas vendiam frutas e outros produtos nas ruas.

A mesma situação foi vista na principal avenida de comércio do bairro Manoa, também na zona norte.

Já neste domingo (5), a manhã foi marcada por uma grande movimentação na zona leste da cidade. A PMAM, por meio da 9ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) cumpriu o decreto estadual e fechou a feira localizada na Rua Penetração, no bairro São José 2. De acordo com o tenente Davi Nascimento, comandante da operação, o trabalho da polícia foi realizado de forma pacífica.

“Tendo em vista o decreto governamental, de fechar estabelecimentos comerciais de serviços que não são essenciais e que causam aglomeração de pessoas, a Polícia Militar do Amazonas apenas desempenha o seu papel, que é obedecer os nossos superiores e estabelecer a ordem na sociedade. Pedimos, de forma pacífica, que comerciantes e feirantes possam contribuir com as medidas para combater a Covid-19″, disse o tenente.

A equipe de reportagem do GDC esteve no local e notou diversos estabelecimentos de serviços não essenciais abertos, como lojas de roupas, sapatos, acessórios para celular e eletrodomésticos. De acordo com Marcos Antônio Ribeiro, locatário de bancas e organizador da feira há 36 anos, os feirantes não são contra o decreto, mas afirmou que “eles foram pegos de surpresa e não tiveram o direito de garantir o estoque de comida da semana”.

Durante a ação, um feirante, que não teve a identidade revelada, chegou a gritar que não tinha medo de morrer de coronavírus, mas de fome.

Nas zonas oeste, sul e centro-sul de Manaus as ruas permaneciam sem movimentação. O bairro Adrianópolis, zona centro-sul, e Ponta Negra, zona oeste, locais que apresentam o maior número de casos confirmados da Covid -19, permaneciam sem aglomerações e com estabelecimentos de comercial não essencial fechados.

Decreto Governamental

No dia 23 de março, durante coletiva on-line, o governador Wilson Lima decretou estado de calamidade pública no Amazonas por conta da pandemia do novo coronavírus. Entre as medidas, o governo anunciou o fechamento de estabelecimentos comerciais e de lazer.

O decreto permite que apenas estabelecimentos de serviços básicos sejam abertos, como supermercados, farmácias e padarias. Para clínicas médicas e veterinárias há restrições. “Esses locais podem abrir, caso se enquadrem para atender pacientes de urgência e emergência”, explicou o governador.

Anúncio