Foto de sala rosa do 28 de Agosto vazia é para enganar população, dizem enfermeiros

Imagem foi postada numa rede social do governo do Amazonas, na quinta-feira (28), mas profissionais que trabalham no local esclarecem que a sala foi esvaziada para receber uma manutenção

Manaus – O governo do Estado do Amazonas divulgou na quinta-feira (28), em seu perfil oficial no Facebook, que, pela primeira vez em 60 dias, a segunda sala rosa do Hospital e Pronto Socorro 28 de Agosto estava totalmente vazia de pacientes com o novo coronavírus. Alguns enfermeiros ficaram revoltados com a notícia e revelaram que a sala estava lotada, mas para receber uma manutenção que é de praxe, os pacientes foram alocados em outros locais. Segundo os profissionais, o hospital continua lotado de doentes com a Covid-19.

O governo informou que houve uma queda na procura de pacientes pelo hospital e que, na manhã desta quinta-feira (28), as 40 camas, colchões e cadeiras foram retirados para serem lavadas. Os aparelhos foram desligados e a sala vai receber manutenção de infraestrutura, como pinturas nas paredes e reparos necessários. Na quarta-feira da próxima semana (3/6), essa sala rosa estará novamente montada.

Enfermeiros que trabalham no Hospital 28 de Agosto revelaram que, para a sala rosa 2 receber uma manutenção que é de praxe, os pacientes foram alocados em outros locais. Os profissionais contam que o hospital continua lotado de doentes com a Covid-19 (Foto: Divulgação)

Foi informado que, dos 80 leitos nas duas salas rosas do 28 de Agosto, apenas 14 estão ocupados. Nos andares 4 e 5, também reservados para pacientes com Covid-19, de um total de 108 leitos, há 27 vazios.

Na UTI, dos 52 leitos existentes, 14 estão vazios. “Esses são números de hoje [sexta-feira, 29] que podem mudar dentro de 15 ou 20 dias. Por isso, estamos preparando toda a estrutura novamente para qualquer futura necessidade”, disse Alessandra dos Santos, diretora da unidade.

Mas, a declaração da diretora não agradou os profissionais que trabalham no local. Uma enfermeira, que não quis se identificar para não sofrer represália, contou a sua versão: “Antes da sala rosa ser lavada, a direção do hospital pediu para tirar fotos para espalhar, dizer que a sala estava vazia. Mas estava cheia, os pacientes foram removidos para o terceiro andar e o hospital está cheio ainda. A nossa UTI está lotada, as salas rosas de cima estão lotadas, a sala rosa 1 está lotada, todas estão lotadas. Futuramente, a sala 1 também vai ser esvaziada para fazer essa limpeza, que é de praxe”, relatou.

Tanto a UTI quanto as salas rosas – dedicadas ao tratamento dos infectados pelo novo coronavírus – estão lotadas de pacientes, afirmam enfermeiros (Foto: Yago Frota/GDC)

Outra enfermeira, que também não quis ser identificada, contou que havia 23 pacientes na sala rosa 2 e que eles foram transferidos para outros setores. “Está vazio lá na CMO [antigo nome da sala]. Vão fazer uma reforma. Os pacientes de lá [da sala rosa 2], eles mandaram para os 4º e 5º andares, e mandaram alguns de lá para nós, para a sala rosa 1, que já estava lotada”, contou a enfermeira.

Os enfermeiros prometeram uma manifestação para a próxima segunda-feira (1/6) para pedir o afastamento da diretora da unidade hospitalar, Alessandra dos Santos. Um enfermeiro até desafiou a diretora do hospital: “O governo coloca uma nota dizendo que a sala está com zero pacientes. Sim, está com zero porque entrou em reforma. Essa sala estava com 23 pacientes na manhã de quinta-feira (28). Duvido a diretora Alessandra mostrar a UTI do primeiro andar, o 4º e 5º andares, que estão lotados de pacientes com Covid-19. Tudo que acontece no 28 de Agosto é uma maquiagem para dizer que está tudo bem na gestão dela, mas é mentira. Diretora Alessandra, mostre os andares cheios de pacientes com Covid-19, respeite a população de Manaus”, reclamou o enfermeiro.