Hospital é reprovado pelo MP-AM, CRM e Dvisa

Relatório do Conselho Regional de Medicina aponta que o local não possui estrutura e material adequados para tratamento de pacientes portadores de Covid-19

Manaus – Três órgãos condenaram as instalações do Hospital da Nilton Lins, ‘inaugurado’ no sábado (18) pelo governador Wilson Lima para receber pacientes com Covid-19. Para o Ministério Público do Amazonas (MP-AM), Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM) e o Departamento de Vigilância Sanitária de Manaus (DVisa) o local ainda não possui estrutura e material adequados para tratamento de pacientes.

Para o MP-AM, o hospital apresenta vários problemas que comprometem a atendimento aos pacientes. A procuradora-geral de Justiça Leda Albuquerque resumiu o que foi verificado na inspeção. “Durante a inspeção, apuramos a falta de EPI’s para os operadores, falta de medicamentos, além de equipamentos para a estruturação integral dos leitos de UTI. A inspeção realizada pelos membros do Gabinete de Crise do MPAM, no hospital Nilton Lins, teve por desiderato amealhar elementos de provas que subsidiem essa ação e os procedimentos mencionados”, explicou.

As instalações do Hospital da Nilton Lins foram ‘inauguradas’ no sábado (18) (Foto: Divulgação)

A promotora Silvana Nobre Cabral afirmou que a inauguração de sábado foi apenas simbólica. “Leitos de UTIs ainda não estão em funcionamento, setores ainda estão sendo arrumados, máquinas sendo montadas e testadas, EPI’s e medicamentos insuficientes, ausência de toalheiros, dispenser de sabonetes líquidos. Continuamos a questionar a razão de o Estado não utilizar os leitos clínicos do Hospital Delphina, do Hospital Getúlio Vargas, da Beneficente Portuguesa. Pacientes precisam de estruturas funcionantes na totalidade”, afirmou.

Relatório do Conselho Regional de Medicina do Estado do Amazonas (Cremam), divulgado neste domingo (19), também aponta que o hospital não possui estrutura e material adequados para tratamento de pacientes portadores de Covid-19.

De acordo com o documento assinado pelo conselheiro Ricardo Góes Figueiras, após visita a unidade de saúde, no início da tarde de sábado (18), o hospital não possui conexões dos ventiladores, traqueia; Central de Esterilização (CME), equipamento de aspiração e sistema de vácuo e sistema fechado de manejo de via aérea em toda a estrutura; EPI’s em número insuficiente para o número de leitos e profissionais e sem material para lavagem das mãos (sabão).

No caso da DVisa, o relatório cita ausência de equipamento de ventilador pulmonar com acessórios e materiais esterilizados e desinfectados (não foi constatado o serviço de CME em funcionamento e nem materiais esterilizados) para suporte de todos os leitos da Unidade de Terapia Intensiva e os leitos existentes na sala vermelha. “Ressaltamos ainda a preocupação da unidade de terapia intensiva disponibilizar somente aparelhos que possuem método de ventilação não invasiva/invasiva que não atendem o suporte ventilatório necessário para pacientes com comprometimento pulmonar causado pelo Covid-19”.

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