Locais para doentes de Covid-19 no 28 de Agosto são ‘salas da morte’, diz médica

Ginecologista defendeu a dedicação dos médicos na linha de frente do novo coronavírus, e criticou a gestão pública dos hospitais do Estado

Manaus – A médica ginecologista Marcela Sousa usou as redes sociais no último sábado (2) para denunciar a situação vivenciada na ‘sala rosa’, do Hospital e Pronto Socorro 28 de Agosto, na zona centro-sul, descrita por ela como ‘sala da morte’. Marcela estava acompanhando o pai Pedro de Sousa, diagnosticado com a Covid-19, que atualmente está internado no Hospital Delphina Aziz, na zona norte.

Médica usou as redes sociais no sábado (2) para relatar o que viu na chamada ‘sala rosa’, dedicada a pacientes com o novo coronavírus no hospital e pronto socorro (Foto: Arquivo/GDC)

Por meio da publicação, a médica afirma que encontrou um ‘cenário de terror’, onde pacientes faleciam sem assistência. Durante a pandemia, a ‘sala rosa’ está sendo destinada ao tratamento de infectados pelo novo coronavírus no Amazonas.

“O que eu vi nesta sala foi uma cena de terror, como nunca vi antes nos meus 10 anos de formada. Vi várias pessoas falecendo sem uma gota de dignidade (SEM ASSISTÊNCIA MÉDICA)”, relatou na publicação.

O pai de Marcela estava internado desde a manhã da última quarta-feira (29) e foi levado para a ‘sala rosa’ no dia seguinte. A ginecologista defendeu a dedicação dos médicos na linha de frente do novo coronavírus, e criticou a gestão pública dos hospitais. Disse, ainda, que a falta no quantitativo de profissionais é expressiva.

“Não estou aqui para falar mal dos profissionais de saúde, pois sei que todos estão dando o seu melhor, trabalhando incansavelmente dia e noite, sem poder voltar pra casa e sem receber seus salários há aproximadamente 4 meses. A minha crítica é a respeito da falta de gestão pública, da má administração e total despreparo do Sr. Governador do Estado do Amazonas, Wilson Lima”, escreveu.

No fim da publicação, ela fez um alerta ao Ministério Público do Amazonas (MP-AM) para averiguar a situação da unidade de saúde.

Nota

Em nota, a Secretaria de Saúde do Amazonas (Susam) disse que as salas rosas no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, assim como nas outras 15 unidades da rede estadual que atendem a Covid-19, foram instaladas para que os pacientes sintomáticos, ao chegar nessas unidades, não dividam o mesmo espaço com os demais pacientes que buscam outro tipo de assistência.

A nota continua afirmando que o local tem corpo clínico exclusivo e preparado para fazer a avaliação, estabilização e acompanhamento dos pacientes, antes que estes sigam o fluxo de internação na própria unidade ou sejam transferidos para um dos dois hospitais de referência para internação de pacientes graves, via Sistema de Regulação inter-hospitalar, como foi o caso do pai da denunciante, encaminhado ao Delphina Aziz.

Concluindo, a Susam ressalta que, conforme o avanço da pandemia, vem ampliando a oferta de leitos para Covid 19 no HPS 28 de Agosto. Até este domingo (3), a unidade tinha 240 leitos para esta finalidade. Neste domingo novas enfermarias ficaram prontas e vão dar suporte às Salas Rosas para internação de pacientes estáveis, que não precisam de UTI.

Denúncia

No último sábado, o GRUPO DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (GDC) denunciou o descaso que ocasionou a morte do aposentado Raimundo Pereira Batista, 70, no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, relatado pela filha Rozana Bastos, 47.

Segundo ela, o idoso foi levado para a sala rosa do hospital, onde ficou internado com outras pessoas. “Não tinha profissionais para atender a todos. A sala (rosa) tinha cerca de 30 a 40 pessoas permanentes, entre contaminados e suspeitos da doença”, disse.

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