Mais de 500 médicos saíram de Manaus em busca de melhores condições de trabalho

Para o presidente do Cremam, José Bernardes Sobrinho, dificilmente o governo estadual consiga trazer médicos de fora para atuar no cenário local da pandemia de Covid-19

Manaus – Em vídeo divulgado nesta sexta-feira (17), o presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Amazonas (Cremam), doutor José Bernardes Sobrinho, alerta para o número insuficiente de médicos na rede pública de Saúde para atender a demanda de pacientes infectados pelo novo coronavírus. Em sua declaração, o profissional também chama a atenção para o número de médicos que foram transferidos de Manaus para outras regiões do País, em busca de melhores condições de trabalho.

“De 2019 para 2020, infelizmente nós perdemos 549 médicos e as razões são as seguintes: as condições de trabalhos nos pronto-socorros de Manaus do serviço público não são as melhores possíveis, são inadequadas. Eles preferem, então, ir para o Sul do País, onde as condições de trabalho são melhores”, comenta Sobrinho, apontando ainda os atrasos frequentes nos pagamentos da rede de Saúde estadual, que frequentemente chegam a três, quatro e até cinco meses, como outro motivo para que os médicos não permaneçam mais na capital amazonense.

Outro problema que o presidente do Cremam expõe no vídeo é que muitos médicos têm se ausentado dos plantões ao adoecerem por causa da Covid-19 – doença causada pelo novo coronavírus.

“Na semana passada tivemos a infelicidade de perdermos três médicos. Hoje, o número de médicos para atender a essa demanda de pandemia é insuficiente, e eu acho difícil que o governo consiga trazer médicos de fora para trabalhar numa situação bastante crítica”, diz Sobrinho. “Sabemos que os pagamentos aqui, pelo menos no nível estadual, frequentemente estão atrasados e não é atrativo para que nenhum médico de fora venha trabalhar em Manaus”.

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