Redução do número de infectados pela Covid-19 no AM ainda é lenta, aponta pesquisa

Estudo da Ufam e Fapeam alerta que o relaxamento do distanciamento social neste momento pode resultar em um novo pico de casos da doença e de óbitos em junho

Manaus – No fim da manhã desta segunda-feira (18), o governo do Amazonas divulgou, durante uma coletiva online, o resultado da pesquisa sobre a curva epidemiológica da Covid-19 em Manaus, que foi feita por pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

De acordo com o professor da Ufam Alexander Steinmetz, a pesquisa apontou que, até o dia 31 de maio, com o isolamento social mantido em 40% da população, mais de 60 mil manauaras ainda estarão infectados pelo novo coronavírus. Mesmo com a redução de 20 mil casos, em comparação ao dia 11 de maio, fim da pesquisa, a estimativa mostra que a redução de infectados continua lenta.

O professor da Ufam Alexander Steinmetz e a diretora-presidente da Fapeam, Márcia Perales, durante a live que abordou o resultado da pesquisa na manhã desta segunda-feira (18) (Foto: Reprodução)

“Nós temos em mente que o número de infectados é onde mora o perigo. É o que representa a situação delicada e explosiva de casos. Nós deveríamos nos concentrar nisso, não na queda em si de casos confirmados, o que é uma boa notícia. Mas enquanto o número de infectados não diminuir para um número muito pequeno, vamos continuar em uma situação delicada”, disse o pesquisador.

A pesquisa da curva epidemiológica também mostrou que, se o distanciamento social for fortalecido e abranger 60% da população, a estimativa para o final do mês de maio cai para 40 mil infectados – entretanto, ainda considerado um número elevado para o pesquisador. “Vamos ter uma grande redução, mas ainda assim, teremos muitos infectados nas próximas semanas”, apontou.

A diretora-presidente da Fapeam, Márcia Perales, exemplificou a pesquisa mostrada na manhã desta segunda-feira como um dos trabalhos do órgão no combate à pandemia: o apoio às pesquisas no Estado. “Esse tipo de pesquisa é o exemplo do que a Fapeam vem fazendo para ajudar durante esta pandemia. Estamos no home office para evitar aglomerações, já seguindo o que a pesquisa aponta. Também estendemos os prazos dos editais para podermos avaliarmos melhor os projetos que podem nos ajudar neste momento difícil”, disse a diretora.

Possível novo pico de casos

O grupo de dez pesquisadores da Ufam e de duas universidades mineiras (UFMG e UFSJ), que fizeram o estudo, também analisaram a hipótese de as autoridades começarem a relaxar as medidas de distanciamento social. O estudo comprovou que o resultado seria um novo pico de casos confirmados e óbitos por Covid-19 no mês de junho.

“Caso o isolamento social sofra uma queda, caindo para 20%, mesmo a população utilizando máscaras, o número de infectados diminuirá até dia 31 de maio, mas depois sofreremos um novo pico, igual ao mês de abril”, explicou Steinmetz.

A pesquisa sobre a curva epidemiológica da Covid-19 em Manaus acrescentou ainda a probabilidade de que, se o distanciamento social tivesse terminado no último dia 12 de maio – com a população voltando às ruas, mesmo utilizando máscaras -, no próximo mês vivenciaríamos um pico muito maior em comparação ao do mês de abril.

“Nós podemos ter um pico de duas a três vezes pior do que aquele que vivemos em abril. Então a situação é explosiva de fato. Se neste momento afrouxarmos o distanciamento social, o resultado será este”, completou.

Motivo da queda de casos em maio

Ainda segundo Alexander Steinmetz, a pesquisa conseguiu mostrar o motivo do número de casos do novo coronavírus no Estado terem diminuído na primeira quinzena do mês de maio. Em parte foi pelo fechamento de comércios, escolas e igrejas, além da orientação no uso de máscaras, feita pela Orgnização Mundial da Saúde (OMS), no dia 6 de abril, e pela Prefeitura de Manaus, no dia 14 de abril, como também pelo melhor atendimento médico na capital.

Somadas ao distanciamento social limitado de 40%, estas medidas, segundo a pesquisa da Ufam em parceria com a Fapeam, resultou em cerca de 2.500 vidas salvas até o momento. “Se não tivéssemos feito isto, poderíamos ter visto uma situação muito pior, cerca de 2.500 óbitos a mais no mês de abril, no mínimo”, disse Steinmetz.