Sem oxigênio, Amazonas pede transferência de bebês prematuros para outros Estados

O governador de São Paulo, João Dória, anunciou que irá receber 60 bebês prematuros do estado. Segundo o presidente do Simeam, o transporte será prejudicial para os pacientes, devido sua fragilidade

Manaus – Em coletiva de imprensa, o governador do estado de São Paulo, João Dória (PSDB), anunciou que irá receber 60 bebês prematuros a pedido do Governo do Amazonas, devido à falta de oxigênio na capital amazonense. O secretário de saúde paulista entrará em contato com Marcellus Campêlo ainda nesta tarde de sexta-feira (15).

O pedido segundo o governador Dória foi durante a manhã, e ao ficar ciente do pedido que fosse estendido a outros estados brasileiros, se prontificou a receber todos os bebês de unidade de tratamento intensivo (UTI) neonatal que possam ser transferidos para a capital São Paulo.

“O governador do Amazonas pediu de outros Estados para receber 60 bebês prematuros que podem ficar sem oxigênio. Bebês gente. Não tenho mais palavras. Acabo de falar aqui com o nosso secretário da saúde, que o Estado de São Paulo atenderá integralmente esses 60 bebês. Gente isso é o fim do mundo. É o fim do mundo. Para quem é pai, para quem é mãe. Não tem oxigênio pra bebê”, finalizou.

O governador de São Paulo afirmou ainda que o secretário de saúde de seu estado, Jean Carlo Gorinchteyn, entrará em contato com o secretário da SES, Marcellus Campêlo, ainda nesta tarde de sexta-feira (15), para acertar os detalhes da transferência. A Secretaria de Saúde do Maranhão, também confirmou o pedido de transferências de bebês em UTI neonatal e que teriam capacidade para receber de cinco a dez bebês.

Na manhã desta sexta-feira (15), pacientes de hospitais em Manaus foram transferidos para outros estados (Foto: Divulgação)

Risco para bebês

De acordo com o presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam), Dr. Mário Vianna, a justificativa para a transferência é absurda, já que o consumo de oxigênio de um bebê é muito menor que a de um adulto e que o transporte será prejudicial para os pacientes, devido a sua fragilidade.

“Essa ideia de transferir os pacientes do Amazonas para outros estados é complicado. Ainda mais se tratando neonatal. Vai ter bebê complicando o seu estado de saúde devido ao esforço, ao deslocamento, tudo isso é estresse para um bebê. Isso é politicagem com crianças, os separando das mães… Loucura. Quero saber que médico vai dar aval para isso”, disse.

Entramos em contato com a assessoria da SES, mas até o fechamento da matéria, o governo não se pronunciou sobre o assunto.

Nota

A Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) informa que o Governo do Estado continua empreendendo todos os esforços para abastecer as unidades de saúde com oxigênio. As maternidades foram abastecidas nesta sexta-feira (15/01) e por se tratar de uma operação de risco, a secretaria preferiu mante-los em Manaus, não havendo previsão de transferência neste momento, para outros estados da federação, não estando descartada a transferência, caso haja necessidade.

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