Wilson Lima é contra ‘lockdown’ mesmo com aumento de casos de Covid

No vídeo, o governador do Amazonas reiterou que as aulas do Ensino Fundamental serão retomadas pela rede estadual de ensino nesta quarta-feira (30)

Manaus – Após o pedido do prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, de lockdown por um período mínimo de duas semanas na cidade, o governador do Amazonas, Wilson Lima, disse que não pensa em decretar o isolamento total no Estado, apesar do pedido ter sido feito somente para a capital. A declaração foi feita em vídeo, publicado na manhã desta terça-feira (29), em uma rede social.

Segundo o governador, o relatório da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) de segunda-feira (28) apontou apenas três mortes por Covid-19 no Estado, o que, para ele, não justifica um lockdown – já que não se compara com o registrado nos meses de abril e maio deste ano.

“É uma situação que ainda nos preocupa. Não queríamos que ninguém estivesse morrendo por conta desta doença, mas nem se compara com os meses de abril e maio, quando vivemos o pico da pandemia. Nem passa pela minha cabeça a idéia de lockdown, de fechar tudo aqui no Estado”, disse Wilson.

No vídeo, o governador do Amazonas reiterou que as aulas do Ensino Fundamental serão retomadas pela rede estadual de ensino nesta quarta-feira (30).

Não estamos pensando em lockdown. Todas as medidas que estamos tomando são justamente para que a gente não suspenda as atividades econômicas, como no início da pandemia. Mas precisamos do apoio de todos. Evitem aglomerações, usem máscara… Precisamos superar esse momento e vamos fazer isso juntos.

Posted by Wilson Lima on Tuesday, September 29, 2020

Lockdown

O pedido do prefeito Arthur Virgílio Neto foi feito na tarde desta segunda-feira (28), durante entrevista à uma emissora de TV. Na ocasião, ele propôs ao governador Wilson Lima decretar o lockdown somente em Manaus.

Arthur está embasado no relatório da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que sugere um lockdown de dez a 14 dias devido ao aumento do número de casos de Covid registrados na capital nas últimas semanas.

De acordo com a integrante da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e professora da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Raquel Stucchi, o momento de se pensar em lockdown é quando há um aumento expressivo do número de casos e, consequentemente, de óbitos, além de uma estrutura hospitalar insuficiente para atender a demanda.

“É necessário o lockdown porque, na hora que se tira forçosamente as pessoas, obrigando a todas que fiquem em casa, há a diminuição da velocidade de transmissão. Logo, a diminuição das pessoas que vão precisar de hospital”, afirmou Stucchi.

Enterros por Covid-19

Dados da Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp), gestora dos cemitérios públicos de Manaus, revelam que durante o mês de agosto foram 77 mortes por Covid-19, de 867 sepultamentos e cremações realizados. Somente em setembro, até o último domingo (27), foram realizados 81 enterros pelo novo coronavírus, de 795 registros da doença.

“Isso sem considerar as mortes por pneumonia e síndrome respiratória, que podem ser lidas como Covid-19. A subnotificação ainda é um problema sério para termos a real noção da doença na nossa cidade. Não acredito em segunda onda, mas já registramos em Manaus o aumento no número de sepultamentos. Por isso, peço prudência às pessoas”, disse o prefeito Arthur Neto.

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