Cientistas selecionam plantas para alimentar abelhas nativas da Amazônia

As espécies vegetais são apresentadas no Guia Ilustrado de Plantas para Meliponicultura na Amazônia

Manaus – Embrapa Amazônia Ocidental (AM) selecionou 52 espécies de plantas indicadas para compor o pasto meliponícola, ou seja, o alimento para criação de abelhas nativas da Amazônia. As espécies vegetais são apresentadas no Guia Ilustrado de Plantas para Meliponicultura na Amazônia. Essas informações ajudarão criadores de abelhas da região amazônica a planejar o plantio de espécies que ofereçam recursos florais que as abelhas sem ferrão necessitam para produzir mel, propólis e outros produtos.

(Foto: Divulgação / Embrapa)

A meliponicultura é a criação de abelhas sociais da tribo Meliponini, conhecidas como abelhas sem ferrão, abelhas nativas ou abelhas indígenas. A atividade, além de gerar renda para os meliponicultores por meio da comercialização dos diversos produtos das abelhas, também contribui para a conservação ambiental e incremento da produtividade agrícola com a otimização da polinização.

Para listar as espécies vegetais mais utilizadas pelas abelhas nativas na Amazônia que são apresentadas no Guia Ilustrado, a pesquisa envolveu atividades de campo e a revisão de trabalhos científicos. A entomologista Cristiane Krug, pesquisadora da Embrapa que coordenou o trabalho, informa que as espécies botânicas foram selecionadas em trabalhos científicos prévios de diversos autores da Amazônia e por meio de pesquisa aplicada que envolveu coletas ativas, observação de visitação e análises de pólen coletado pelas abelhas.

Ao indicar plantas que oferecem maior disponibilidade em recursos florais que servem de alimento para as abelhas melíponas, a pesquisa oferece informações importantes para aos criadores e aos que pretendem ingressar na atividade, seja para fins de conservação ou comerciais. Em ambos os casos, é necessário oferecer alimento adequado aos insetos, uma vez que a quantidade de abelhas colocadas em área restrita será maior do que a sua ocorrência natural.

Com as informações do Guia Ilustrado, os criadores poderão planejar quais plantas podem incluir na preparação do pasto meliponícola, também chamado de jardim de mel, e que consiste no conjunto de plantas que oferecerão os recursos florais (pólen, néctar, óleo e resinas) que as abelhas necessitam para se desenvolver, manter sua colônia e produzir mel e seus subprodutos.

O Guia apresenta plantas herbáceas, arbustivas, arbóreas e trepadeiras. Para cada planta são apresentadas também informações sobre os recursos que oferecem para as abelhas, a distribuição geográfica, período de floração, fotos e outros dados de identificação.

As plantas selecionadas têm em comum o florescimento em abundância. Além das ornamentais, como o amor-agarradinho (Antigonon leptopus), outras são de uso múltiplo e conhecidas entre frutíferas da Amazônia, como o tucumã (Astrocaryum aculeatum), a pupunha (Bactris gasipaes), araçá-boi (Eugenia stipitata), açaí-do-pará (Euterpe oleraceae), açaí-do-amazonas (Euterpe precatoria), jenipapo (Genipa spruceana), ingá (Inga edulis), entre outras.

A pesquisadora destaca que o pasto meliponícola é um dos três pilares essenciais para o sucesso da meliponicultura. Os outros dois envolvem a escolha da espécie de abelha que será criada considerando suas características genéticas e ocorrência natural no local, e ainda o manejo adequado das colônias. “Cultivar plantas para fornecer alimento natural para as abelhas sem ferrão é determinante para uma boa produção de mel e para que as colônias permaneçam fortes e sadias”, destaca a pesquisadora. Além disso, ela acrescenta que proporcionar o pasto meliponícola também contribui na manutenção do serviço ambiental da polinização, favorecendo todos os insetos e demais animais que dependem de flores e frutos para sua alimentação e sobrevivência.

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