Alimentos influenciam crescimento da inflação medida pelo IBGE, em junho

INPC e IPCA revelam impacto da greve dos caminhoneiros que causou desabastecimento e fez o consumidor pagar mais caro por produtos como batata inglesa, leite e frango

Brasília – A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que registra a variação de preços para as famílias de menor renda, de um a cinco salários-mínimos, fechou o mês de junho com alta de 1,43%, a maior alta para o mês desde os 2,18% de junho de 1995. O resultado é 1 ponto percentual superior à taxa de 0,43% verificada em maio.

Alimentação e bebidas (2,03%), Habitação (2,48%) e Transportes (1,58%) tiveram maior influência no IPCA de junho. (Foto: Nathalie Brasil 19/01/2012)

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é a primeira vez desde janeiro de 2016 que o índice ficou acima de 1,0%. Com o resultado de junho, o INPC passou a acumular alta de 2,57% nos primeiros seis meses do ano, resultado acima dos 1,12% registrado em igual período do ano passado. Nos últimos 12 meses, o índice ficou em 3,53%, bem acima do 1,76% dos 12 meses anteriores. Em junho de 2017, a taxa havia fechado com deflação (inflação negativa) de 0,30%.

O INPC de junho foi influenciado pelos produtos alimentícios, que tiveram alta de 2,24%, enquanto, no mês anterior, a variação havia sido de apenas 0,29%. Os produtos não alimentícios aumentaram 1,08%, enquanto, em maio, o índice foi de 0,49%.

O maior índice ficou com a região metropolitana de Belo Horizonte, cuja taxa do INPC fechou com alta de 2,12%, influenciada pelo reajuste de 21,70% na energia elétrica, decorrente do reajuste de 18,53% nas tarifas, em vigor desde 28 de maio.

Já o menor índice ficou com a região metropolitana de Belém, cuja alta foi de 0,71%, motivado pelas quedas nos pescados (4,46%) e na refeição fora (1,45%).

O INPC abrange dez regiões metropolitanas do País, além de Brasília e dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju, mas se refere a variação de preços junto às famílias com rendimento monetário de um a cinco salários-mínimos.

IPCA

Em outro indicador da Inflação do IBGE, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), novamente o grupo Alimentação e Bebidas acelerou de um avanço de 0,32% em maio para uma alta de 2,03% em junho, a maior taxa para o mês, desde 2008, quando o aumento alcançou 2,11%.

O grupo Alimentação, que responde por 25% das despesas das famílias, passou de uma contribuição de 0,08 ponto porcentual para o IPCA de maio para um impacto de 0,50 ponto porcentual sobre a inflação de junho.

A alimentação consumida no domicílio subiu 3,09%, sob pressão da crise de desabastecimento provocada pela greve de caminhoneiros. Já a alimentação fora de casa aumentou 0,17%.

As famílias pagaram mais por batata-inglesa (17,16%), leite longa vida (15,63%), frango inteiro (8,02%) e carnes (4,60%).

A greve dos caminhoneiros pressionou os gastos das famílias com alimentação e transportes, em junho.

Os grupos Alimentação e bebidas (2,03%), Habitação (2,48%) e Transportes (1,58%), que respondem por cerca de 60% das despesas das famílias, foram os que mais influenciaram o IPCA de junho, em 1,18 ponto porcentual, cerca de 93% da inflação do mês.