Amazonas ainda lidera em localidades sem interligação com sistema elétrico do País

Dados do Operador Nacional do Sistema (ONS) apontam que, no Estado, 95 pontos estão sem conexão

Brasília – O Amazonas é o Estado que possui o maior número de pontos isolados do sistema elétrico nacional, com 95 regiões. Roraima está em segundo lugar, com 82 localidades fora da rede interligada, aponta o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Falta de interligação exige abastecimento por usinas à diesel (Foto: Eraldo Lopes/Arquivo/GDC)

Os reflexos do isolamento elétrico da cidade de Boa Vista (RR), única capital do País que ainda não está plugada na malha do sistema interligado nacional de energia (SIN), ficaram mais nítidos em março deste ano, quando Roraima deixou de importar energia da Venezuela e passou a depender, exclusivamente, da geração de usinas térmicas brasileiras, praticamente todas elas movidas a combustível. Boa Vista, no entanto, está longe de ser a única localidade do País que sofre com as limitações do setor.

O ONS que gerencia o abastecimento diário do País e planeja sua demanda para os anos seguintes, aponta que, atualmente, ainda existem 235 localidades no Brasil que não possuem ligação com o SIN. São os chamados ‘sistemas isolados’, que dependem diariamente da energia produzida por usinas locais para ter luz. Em 99% dos casos, tratam-se de quilowatts gerados pela queima de óleo diesel.

O levantamento oficial mostra que, quando considerada a malha interligada de energia, a qual já chega a 141.388 quilômetros de extensão, os isolados são apenas 0,6% das localidades do País. O custo para 2020 desses 235 locais, porém, nas contas do ONS, chegará a R$ 6,31 bilhões, um valor que é pago por todos os consumidores de energia do País, por meio de subsídio incluído mensalmente na conta de luz.

“Naturalmente, há regiões que precisam imediatamente ser conectadas, como é o caso de Boa Vista, que consome boa parte da energia dos sistemas isolados. Há outros locais, porém, que efetivamente não precisam dessa conexão, e sim de uma solução mais adequada de abastecimento, para que o preço da energia dessa região caia”, diz Claudio Sales, presidente do Instituto Acende Brasil, especializado no setor elétrico.

Anúncio