Análise: Se você é exceção no ‘novo normal’ na economia, comemore

Novo normal vem sendo desenhado muito antes da pandemia e tem mudado o estilo de vida da sociedade para pior

Observando o comportamento humano é possível encontrar facilmente uma série de incoerências que já passaram a fazer parte da vida de muitos com certa naturalidade. É comum que as pessoas digam que são únicas, autênticas e que vivem conforme suas próprias regras, mas que, na prática, reproduzem o que a maioria faz por medo de não serem aceitas.

Com isso, formam-se grupos que, por mais diferentes que sejam entre si, possuem as mesmas características, ou seja, pessoas que se vestem de maneira parecida, que usam o mesmo vocabulário, frequentam os mesmos locais, consomem os mesmos produtos e valorizam as mesmas coisas. De uma forma ou de outra, se tornou natural que a maioria busque a esteira de uma “linha de produção” para sair do outro lado igual aos membros do grupo ao qual deseja pertencer. Nada autêntico, nada original.

Mas, para além das pequenas “fábricas” locais, há uma indústria muito maior que dita as regras desse novo normal que vem sendo implantado aos poucos, desde muito tempo, nas sociedades mundo afora. Foi assim que chegamos às condições atuais onde, por exemplo, crescer em um lar com pai e mãe que nunca se divorciaram é exceção.

Outro normal é estar com o “nome sujo”. Temos menos de 80 milhões de pessoas economicamente ativas no Brasil, o que corresponde a 46,7% da população – índice muito abaixo dos 75% de diversos países – e mais de 63 milhões estão inadimplentes. Ou seja, oito em cada 10 brasileiros economicamente ativos têm restrições em seu CPF. Ter controle financeiro e manter as contas em dia é exceção.

Em qualquer segmento econômico, o normal é sermos, de alguma forma, mal atendidos ou lesados com respeito a alguma coisa. Às vezes até sobra simpatia, mas faltam vários outros itens. Encontrarmos alguém ou alguma empresa que atenda bem, assessore o cliente com honestidade e cumpra os prazos de entrega é exceção.

E, como sempre, andar na contramão do fluxo da maioria é submeter-se o tempo todo a ser atropelado pelas críticas. Tornou-se normal que a maioria ridicularize quem ainda conserve os valores da cultura judaico-cristã, que cumpra suas obrigações – sem esperar um troféu por isso – e que viva diferentemente desse novo normal. Se você é exceção, comemore. Se pretende continuar sendo, parabéns! Mas saiba que esse cerco vai se fechar cada vez mais. Esteja preparado.

Autora

Patricia Lages é autora de 5 best-sellers sobre finanças pessoais e empreendedorismo e do blog Bolsa Blindada. É palestrante internacional e comentarista do JR Dinheiro, no Jornal da Record.

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