Após protestos, trabalhadores da construção civil aceitam reajuste de 2,55%

A proposta apresentada pelo Sinduscon-AM mantém os benefícios de vale-transporte e cesta básica. Manifestações pela capital acontecem desde o último dia 13

Manaus – Após uma série de manifestações, o Sindicato dos Trabalhadores de Montagem e Indústria da Construção Civil do Amazonas (Sintracomec-AM) aceitaram a proposta do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Amazonas (Sinduscon-AM), de reajuste de 2,55%. O acordo mantém os benefícios de vale-transporte e cesta básica.

A manifestação aconteceu na Avenida Djalma Batista (Foto: Divulgação/Édria Caroline)

A reunião aconteceu nesta quarta-feira (18), na sede do Ministério Público do Trabalho (MPT), na Avenida Mário Ypiranga, bairro Flores, zona centro-sul de Manaus. Os trabalhadores da construção civil paralisaram pontualmente as atividades no último dia 13 de abril, quando iniciaram as manifestações.

De acordo com o presidente do Sintracomec-AM, Cícero Custódio, o acordo beneficiou os dois lados, trabalhadores e empresas. “Tivemos o aumento, não será retirado o vale-transporte, nem a cesta básica e também não vão ser descontados os dias que paramos. Foi uma vitória, a gente só consegue alguma coisa se fizermos movimentos como os que fizemos”, disse, acrescentando que, inicialmente, a categoria pedia 6% de reajuste.

Na manhã desta quarta-feira (18), os trabalhadores fizeram uma manifestação pacífica, na Avenida Djalma Batista, zona centro-sul. O ato contou com o apoio da Polícia Militar e de agentes do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização de Trânsito (Manaustrans).

Sindicato patronal diz que o acordo é parcial

O acordo é parcial, segundo o Sinduscon, já que alguns itens das cláusulas da CCT ainda serão julgados pelo Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT11). “São aproximadamente 90 cláusulas. Desse total, 65 já foram acordadas. As demais ficarão para o TRT julgar”, destaca o presidente da Comissão Política e Relações de Trabalho do Sinduscom, Jose Carlos Paiva.

Conforme Paiva, o acordo vale até 30 de junho deste ano, quando começa a ser discutido o novo Dissídio Coletivo. “A greve feita nos últimos dias não terá prejuízo para os trabalhadores, porque os empresários irão pagar os dias não trabalhados. Mas, ficou definido que não haverá novas paralisações nos canteiros até sair a decisão do TRT. Se o acordo for quebrado, haverá descontos”, afirma.

O índice de 2,55% de reajuste é sobre a mão de obra das funções relacionadas ao trabalho na construção civil. De acordo com o presidente do Sinduscon-AM, Frank Souza, o percentual deve ser aplicado sobre os salários dos trabalhadores desde junho de 2017, período em que começaram as discussões em torno da CCT que está sob análise no TRT11.

“Mesmo antes do acordo, nós já havíamos emitido um documento, orientando as empresas sobre o reajuste de 2,55%. A partir desta quarta-feira, esse índice passa a ser obrigatório. As empresas que não consideraram a recomendação, terão que pagar os valores retroativo a junho/2017″, explica Souza.

O presidente do sindicato afirma, ainda, que a entidade não retirou direitos conquistados pelos trabalhadores. Segundo Souza, todas as assistências estão mantidas, incluindo os serviços médico-odontológicos oferecidos por meio do braço social da instituição – o Serviço Social da Indústria da Construção Civil de Manaus (Seconci Manaus).

“Todos os benefícios adquiridos pelos trabalhadores, como vale transporte, cesta básica e assistência social através do Seconci, estão mantidos. Tudo continua inalterado. A categoria empresarial nunca quis retirar direitos, apenas quer adequar a nova convenção à reforma trabalhista”, enfatiza.

Souza destaca que a força do coletivo tem trazido benefícios ao setor. “Esperamos que as empresas consigam seguir a convenção, e que a cada dia se formalizem, uma vez que decisões coletivas tendem a ter um resultado único e positivo para o setor”, afirma o presidente do sindicato patronal.

**Atualizada às 21h02 para acréscimo de informações.