Banco Central reduz previsão do PIB em 2021 para 3,6%

O BC disse que a estimativa reflete, de um lado, o carregamento estatístico para o PIB anual maior do que o esperado

Brasília – O BC (Banco Central) reduziu sua projeção para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) — soma de todos bens e serviços produzidos no País — este ano para 3,6%, ante alta de 3,8% projetada em dezembro, mostrou o mais recente Relatório Trimestral de Inflação da autarquia, divulgado nesta quinta-feira (25).

Banco Central reduz previsão do PIB em 2021 para 3,6%. (Foto: © Marcello Casal JrAgência Brasil)

No documento, o BC disse que a estimativa reflete, de um lado, o carregamento estatístico para o PIB anual maior do que o esperado, após surpresa positiva com o dado do quarto trimestre, e a manutenção da atividade econômica em nível elevado no início deste ano e, de outro, o recrudescimento recente da pandemia.

“Em termos de trajetória, a projeção para o PIB é de recuo moderado ao longo do primeiro semestre, seguido de recuperação relevante nos últimos dois trimestres do ano, decorrente da redução esperada na taxa de letalidade da Covid-19 e no número de internações, com o avanço da vacinação”, diz o relatório.

A estimativa do BC considera a manutenção do regime fiscal no País, uma nova rodada de auxílio emergencial de cerca de R$ 44 bilhões — conforme já previsto por medida provisória do governo — e a perspectiva de que o cronograma de vacinação contra a Covid-19 siga sem desvios importantes.

Apesar de a projeção para a alta do PIB não ter sofrido mudança significativa, o BC alterou o prognóstico para sua composição, e previu um desempenho melhor da indústria, com alta de 6,4% (5,1% antes) e pior dos serviços, com crescimento de 2,8% (3,8% antes).

No caso de serviços, a revisão refletiu a intensificação da pandemia, que deve prejudicar a normalização de segmentos como transportes, armazenagem, alojamento e alimentação fora de casa, disse o BC.

Inflação

Em relação à inflação, o BC repetiu as projeções divulgadas na semana passada para seu cenário básico, que apontam para um IPCA em torno de 5% para este ano e de 3,5% para 2022, mas detalhou também alguns cenários alternativos em que considera a possibilidade de condições mais adversas.

Um dos cenários incorpora uma “significativa deterioração” da percepção sobre a situação fiscal do país, outro considera um agravamento adicional da pandemia da Covid-19 e o terceiro cenário leva em conta uma combinação parcial dos dois primeiros.

O cenário de deterioração fiscal, que considerou alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas, foi o que gerou o maior impacto inflacionário. A projeção é que, nessas condições, o país terminaria este ano com inflação de 5,7%, escalando para 5,9% em 2022. Ambos os números estariam bem acima dos tetos das respectivas metas de inflação para o período — 5,25% e 5%, respectivamente.

“Questionamentos sobre a continuidade das reformas e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas têm o potencial de aumentar a incerteza econômica, os prêmios de risco e a taxa de juros estrutural da economia e depreciar a taxa de câmbio”, diz o documento.

No que diz respeito à política monetária, o documento repetiu diagnóstico feito na ata do Comitê de Política Monetária, divulgada na terça-feira. Na semana passada, o BC elevou a taxa básica de juros pela primeira vez desde 2015, em 0,75 ponto percentual, e indicou que deve promover nova alta desse mesmo valor em maio, ressaltando preocupações com a piora das projeções para a inflação.