BC eleva juros a 5,2% para brecar inflação

Previsão de analistas do mercado financeiro é de que o Copom eleve a Selic entre 0,75 e 1 ponto percentual para conter inflação

Brasília – Após insistir durante meses no discurso de que a escalada da inflação era temporária, o Banco Central admitiu ontem que a alta dos preços “continua se revelando persistente”. Para tentar segurar a inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC decidiu acelerar o ritmo de alta da Selic (a taxa básica de juros) e anunciou um aumento de 1 ponto porcentual, de 4,25% para 5,25% ao ano.

Esta foi a quarta alta consecutiva, sendo que nas três decisões anteriores o BC havia subido a taxa em 0,75 ponto porcentual. Há 18 anos, desde fevereiro de 2003, os juros não subiam de uma só vez 1 ponto. Mais do que acelerar o processo, o BC já sinalizou que em setembro aplicará aumento na mesma magnitude, para 6,25% ao ano.

Edifício-sede do Banco Central no Setor Bancário Norte, em lote doado pela Prefeitura de Brasília, em outubro de 1967

Na economia, manter os juros em patamares mais altos é uma estratégia para controlar o avanço da inflação. No entanto, taxas elevadas significam que o custo para a tomada de crédito também tende a crescer – justamente em um momento em que a atividade econômica tenta se recuperar da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus.

Desde o segundo semestre do ano passado, a alta dos valores das commodities no mercado internacional – como soja e milho – tem elevado o custo dos alimentos no mercado interno. Para piorar, os preços dos combustíveis também vêm contribuindo para o avanço do IPCA – o índice oficial de inflação, que nos 12 meses até junho subiu 8,35%. Mais recentemente, a estiagem em diversas regiões do País elevou os custos da energia elétrica, enquanto a geada provocada pelo frio aumentou a pressão sobre os alimentos

Este conjunto de fatores fez o BC mudar sua avaliação. Em maio, a instituição ainda defendia a ideia que os choques de preços de alimentos e energia elétrica eram ‘temporários’. No comunicado de ontem, no entanto, a instituição traçou um cenário mais pessimista. “A inflação ao consumidor continua se revelando persistente. Os últimos indicadores divulgados mostram composição mais desfavorável”, reconheceu o BC – que destacou ainda a maior pressão na área de serviços, com o fim das medidas de restrição social.

Outro fator citado pelos economista também foi mencionado pelo BC: a sustentabilidade das contas públicas. No comunicado de ontem, o Copom voltou a dizer que o “risco fiscal elevado” é um fator para o aumento de preços no Brasil. Desde a semana passada, a visão no mercado financeiro é de que o risco fiscal aumentou após o Ministério da Economia ter dito que não há espaço, no Orçamento, para o pagamento de R$ 90 bilhões em precatórios em 2022.

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