Brasil ganhou 6,2 milhões de novos pobres, em quatro anos de crise

O percentual de crescimento de 2014 a 2017 representa a adição de 6,27 milhões de novos pobres às estatísticas oficiais. Apenas em 2015, a pobreza subiu 19,3% (3,6 milhões de pessoas)

Manaus – Desde o final de 2014 até o final de 2017, o aumento de pobreza foi de 33%, passando de 8,38% a 11,18% da população brasileira. O contingente representa 23,3 milhões de pobres no País, superando a população chilena. O crescimento representa a adição de 6,27 milhões de novos pobres às estatísticas sociais e foi identificado pelo estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV Social), com base nos dados da Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar (PNAD Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada na semana passada.

Os 23,3 milhões de pobres no País superam a população chilena (Foto: Eraldo Lopes)

O estudo da FGV sobre o aumento da pobreza e da desigualdade nos últimos quatro anos é inédito. Apenas em 2015, a pobreza subiu 19,3%, com 3,6 milhões de novos pobres. Hoje, segundo a pesquisa, os 23,3 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza se sustentam com uma renda per capta de R$ 232 por mês. O autor do trabalho é pesquisador da FGV Social, Marcelo Neri.

Os dados atestam que, no primeiro ano do governo Lula, a pobreza cresceu, sendo seguida depois de várias quedas consecutivas, com o Brasil atingindo com antecedência as ‘Metas do Milênio’ de redução da pobreza. De 1994, ano do Plano Real, até o primeiro ano do governo do PT (2003), a proporção de pobres no País variou de 28,53% para 27,95%. Daí caiu para 25,23%, já em 2004, chegando a 8,38%, em 2014.

Entre o segundo trimestre de 2015 e de 2018, a perda de renda média acumulada é de 3,44%. Esta perda é mais forte entre os jovens (queda de 20,1% entre 15 e 19 anos e queda de 13,94% entre 20 e 24 anos), entre pessoas com Ensino Médio incompleto (redução de 11,65%) e entre os responsáveis dos domicílios (recuo de 10,38%).

Segundo a FGV, “a crise social que se manifesta no final de 2014, surge a partir de excessos e desvios de um caminho do meio onde o bolo de renda crescia com mais fermento entre os mais pobres”.

Bolsa Família

Entre 2015 e 2018, segundo a FGV, enquanto a média de renda caiu 7%, a renda dos 5% mais pobres caiu 14%. O fenômeno é resultado direto do congelamento nominal do Bolsa Família, em 2015. “Esta troca de menos Bolsa Família por mais gastos previdenciários foi desvantajosa. Em termos de multiplicadores de gasto públicos, cada real gasto com Bolsa Família dispara um multiplicador três vezes maior que o dos gastos previdenciários e cinco vezes maior que os do FGTS”, defende a FGV.

O estudo está no link: https://cps.fgv.br/Pobreza-Desigualdade.

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