Brasileiros devem usar a restituição do IR para quitar contas básicas em atraso

O primeiro lote será liberado no dia 31 de maio; último dia para entregar a declaração sem multa

Brasília – O prazo para entregar as declarações do Imposto de Renda e ficar em dia com o fisco está correndo. Muitos brasileiros já começaram a pensar no que fazer com a restituição. O primeiro lote coincide com a data do último dia para entregá-lo sem multa, 31 de maio. O recebimento do dinheiro ‘extra’ sempre gera dúvida na cabeça do contribuinte: pagar dívidas ou investir o dinheiro?

(Foto ilustrativa: Reprodução Freepik)

No ano passado, um levantamento apontou que dois em cada três brasileiros iriam utilizar o dinheiro da restituição para quitar dívidas. Os dados da fintech de recuperação de crédito Acordo Certo, ligada ao Grupo Boa Vista, mostraram que pagar contas da casa era prioridade para 31% dos entrevistados e apenas 19% iriam destinar a restituição para investimentos.

Para Fernando Lamounier, educador financeiro e diretor da Multimarcas Consórcios: “O nível de endividamento dos brasileiros é alto, assim como a inadimplência, então sinaliza que quem tiver dívidas deve saná-las”. O número de cidadãos endividados no Brasil fechou em 2023, com nova máxima histórica. Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostrou que 78,3% dos brasileiros estavam endividados, e 29,4% estavam inadimplentes.

Numa ordem de prioridade, Fernando Lamounier aponta que as básicas devem ser as prioritárias, porque correm risco de corte no fornecimento, como contas de água e luz, parcelas vencidas do condomínio, mensalidades atrasadas em escolas, contas de gás e telefonia e demais contas básicas. Em seguida, contas de consumo, que acumuladas no cartão de crédito, podem significar um grande problema por conta dos altos juros, assim como limites de cheque especial. Por fim, se sobrar algum valor, vem o planejamento para fazer uma reserva de emergência ou investimentos.

Lamounier aponta que o cartão de crédito é visto como um valor adicional ao orçamento mensal dos brasileiros e os juros pioram o cenário. “As pessoas vêm utilizando a modalidade para compras do dia a dia, e a capacidade de parcelamento levou-as a acreditar que ao dividir uma compra a dívida fica menor, quando na realidade, antecipa as dívidas do próximo mês”, aponta.

O especialista explica que, para o brasileiro, “a instabilidade econômica do país é o agente dificultador de um padrão de vida financeira saudável para o cidadão comum”, e completa dizendo: “a alta inadimplência se deve à situação dos salários baixos e desemprego elevado”.

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