Centro de Biotecnologia da Amazônia se molda para fortalecer pesquisa e inovação

A meta é colaborar para o desenvolvimento de pesquisas da biodiversidade amazônica e suas aplicações no mercado e para integrar as instituições e empresas na pesquisa e inovação da região

Manaus – A atuação mais intensa do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA) para o desenvolvimento de projetos inovadores para serem transformados em produtos competitivos na bioindústria é o objetivo do governo federal, apesar do centro ainda não possuir uma identidade jurídica.

“Temos buscado apresentar o CBA como um ator local, com uma série de capacidades e expertises, que pode funcionar como elemento integrador de todo o ecossistema de pesquisa e inovação da região”, destacou o superintendente da Zona Franca de Manaus (Suframa), Algacir Polsin.

Para o dirigente, a meta da instituição não é apenas de colaborar para o desenvolvimento de pesquisas com base nos ativos da biodiversidade amazônica, mas também nas suas necessárias aplicações no mercado.

Flávio Freitas chefiou a pesquisa do CBA, que também contou com Edson Silva (Foto: Layana Rios /Suframa)

A utilização das matérias primas regionais em uma cadeia de produção que concentre maior valor é um dos principais objetivos da instituição. “Precisamos desenvolver o empreendedorismo biotecnológico e a organização de cadeias produtivas endógenas. Para tanto, precisamos qualificar, levar boas práticas e melhorar o ambiente de negócios local para que os produtores da região possam melhorar a produtividade e atingir mercados cada vez mais exigentes com produtos de qualidade e certificados”, destacou o o gestor do CBA, Fábio Calderaro.

Essa atuação de estímulo ao produtos já é desenvolvida pelo CBA junto com o Sebrae, para fortalecer cadeias produtivas florestais e agroflorestais, como guaraná, da castanha, das polpas de frutas, e meliponicultura, explicou a pesquisadora do CBA, Katherine Oliveira.

Para o secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia (Sepec), Carlos Da Costa, é necessário criar mecanismos que auxiliem na descentralização do desenvolvimento e que o CBA pode contar com o apoio governamental para se tornar referência em bionegócios na região.

O CBA também integra Projeto Sistema Amazônico de Laboratórios Satélites MCTI (Salas MCTI), instituído pela Portaria nº 4.046, de 13 de novembro de 2020. Coordenado pela Secretaria de Pesquisa e Formação Científica (Sepef), do Ministério da Ciência e Tecnologia, (MCTI), o projeto poderá buscar o apoio técnico e financeiro de entes federativos, órgãos e entidades públicas e privadas para a instalação de infraestruturas de apoio à pesquisa científica na Amazônia, para ampliar a pesquisa científica e formação de recursos humanos.

Inovação

Um dos exemplos de inovação do CBA foi a a utilização do lodo proveniente de estações de tratamento de esgoto (ETEs) como um catalisador para produzir biocombustível.

A pesquisa foi chefiada pelo pesquisador do CBA, Flávio Freitas, pós-doutor em Química, e contou, ainda, com o biólogo Edson Silva, pós-doutor em Ciências de Alimentos, também integrante da equipe do CBA, além de pesquisadores do Instituto Federal de Educação Tecnológica (Ifam), Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e Edith Cowan University, da Austrália.

A pesquisa concluiu que utilização do catalisador pode reduzir em até 30% o custo na produção do biocombustível, além de ser reutilizável e com possibilidade de regeneração. “Como produzimos a partir de um rejeito (lodo), há uma diminuição nos custos finais do biocombustível. Também observamos que o catalisador a partir do lodo pode ser reutilizado e regenerado, diferente dos catalisadores disponíveis no mercado, que podem ser reutilizados, mas em uma proporção menor e também não possuem a capacidade de regeneração”, explicou Freitas.