Covid muda demanda por profissionais

Das dez profissões com maior nível de ocupação de trabalho formal no Brasil, apenas uma (alimentador de linhas de produção) entrou no ranking das que ganharam mais vagas em 2020

Brasília – O isolamento imposto pela pandemia da Covid-19 criou um novo padrão de demanda profissional no País em 2020. Das dez profissões com maior nível de ocupação de trabalho formal no Brasil, apenas uma (alimentador de linhas de produção) entrou no ranking das que ganharam mais vagas com carteira assinada no ano passado. Já as ocupações ligadas ao atendimento presencial da população foram as mais prejudicadas. Profissionais das áreas de Transporte e Educação estão entre os mais afetados.

O levantamento foi feito pela Confederação Nacional do Comércio, Bens e Serviços (CNC), a partir de dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia.

Cobradores e motoristas de coletivos foram as profissões que mais perderam representatividade no emprego formal em 2020 (Foto: Rovena Rosa/ABr)

Apesar da recessão gerada pela pandemia, o Brasil terminou 2020 com um saldo positivo de 142.690 postos de trabalho sob o regime celetista, sustentado pela construção civil e pela indústria. Foi a mais tímida geração de vagas formais desde 2017, mas surpreendente diante das dificuldades enfrentadas pela economia brasileira e mundial no ano passado.

As ocupações mais dependentes da circulação de pessoas, entretanto, sentiram mais fortemente o impacto das restrições impostas pelo novo coronavírus. Na área de transporte, cobradores (-11,3%) e motoristas de coletivos (-7,1%) foram as profissões que mais perderam representatividade no emprego formal em 2020.

Os profissionais da área de Educação também figuram entre os mais afetados. Das vinte ocupações com maiores retrações, segundo a CNC, metade é composta por profissionais ligados ao setor de ensino, especialmente professores de ensino superior na prática do ensino (-6,4%), auxiliares de desenvolvimento infantil (-6,1%) e professores de ensino na área de didática (-5,1%).

Com o ensino presencial brecado pela pandemia, a área de Educação registrou a perda 72,2 mil profissionais no ano passado – uma contração de 4,0% na força de trabalho deste setor, calcula a CNC. Em termos relativos, o setor ficou à frente apenas das áreas de alojamento e serviços de alimentação (-13,5%) e da área de Arte, Cultura, Esporte e (- 10,1%). O setor mais negativamente impactado pela pandemia na geração de empregos formais foi o de Turismo, com queda de 37% em 2020, estima a entidade.

Do lado positivo, o isolamento social de parcela significativa da população impulsionou ocupações como auxiliares de logística (+28,1% ou 19.276 vagas), estoquistas (+19,1% ou 12.304 vagas) e embaladores de produtos (+12,7% ou 23.677 vagas) apresentaram taxas de crescimento de dois dígitos – bem acima, portanto, da variação média do emprego formal (+0,4%).

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