Desemprego cai para 12%, no 2º trimestre, aponta pesquisa

Apesar dos avanços o País ainda tem 28,405 milhões de subutilizados e o rendimento médio dos trabalhadores ocupados recuou 1,3% no segundo trimestre ante o trimestre anterior

Brasília  – Após as tradicionais dispensas de trabalhadores temporários nos três primeiros meses do ano, o mercado de trabalho voltou a gerar vagas no segundo trimestre. A taxa de desemprego diminuiu de 12,7% para 12,0% no período, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados, nesta quarta-feira (31), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“A situação ainda é terrível, mas o ponto de inflexão é porque o mercado de trabalho vinha se recuperando muito lentamente desde 2017, agora melhorou”, explicou o economista Daniel Duque, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).

No País, 12 milhões estavam procurando emprego, no 2º semestre (Foto: Ana Volpe/Agência Senado)

Parte das vagas preenchidas foi de trabalho com carteira assinada, porém, o avanço do emprego ainda é puxado pela informalidade e subutilização da mão de obra disponível. “Eu acho que a gente deu um primeiro passo importante (para recuperação do mercado de trabalho)”, opinou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE. “Dizer que há virada eu acho que é forçar uma barra”, completou.

A população ocupada aumentou em 1,479 milhão de pessoas apenas no segundo trimestre. Houve abertura de 294 mil postos de trabalho com carteira assinada em relação ao primeiro trimestre, a primeira alta significativa após cinco anos. Quase metade das vagas formais foi criada pela indústria.

“Eu acho que a gente tem um diferencial agora, que é o aumento expressivo na carteira de trabalho e que está acontecendo na indústria, que é um grupamento bastante importante. E está acontecendo em dois Estados que têm importância, São Paulo e Minas Gerais”, disse Azeredo.

No entanto, o País ainda tem hoje uma população recorde de pessoas atuando por conta própria (24,141 milhões) e trabalhando sem carteira assinada no setor privado (11,500 milhões). O número de trabalhadores com jornada aquém do desejado também atingiu o ápice de 7,355 milhões. Outros 4,877 milhões estão desalentados, ou seja, deixaram de procurar emprego acreditando que não conseguiriam uma oportunidade.

“Falar em desemprego, dizer que está limitado a 12 milhões, é minimizar o problema. Apesar dos avanços no mercado de trabalho, são 28,405 milhões de subutilizados”, avaliou Azeredo.

Uma das consequências do emprego sem qualidade é a redução da média salarial. O rendimento médio dos trabalhadores ocupados recuou 1,3% no segundo trimestre ante o trimestre anterior.