Desemprego sobe e desalento é recorde

A taxa de desemprego subiu de 11,2% em janeiro para 12,6% e o desalento atingiu o maior patamar da série histórica, com mais de 5 milhões de pessoas que desistiram de procurar emprego

Brasília – A pandemia do novo coronavírus provocou uma destruição generalizada de postos de trabalho no trimestre encerrado em abril. A taxa de desemprego subiu de 11,2% em janeiro para 12,6% em abril, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgada nesta quinta-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado só não foi ainda mais elevado porque houve migração recorde de pessoas para a inatividade. O desalento atingiu o maior patamar da série histórica, com mais de 5 milhões de pessoas que não trabalhavam nem buscavam uma vaga por acharem que não conseguiriam emprego, por exemplo.

“O ponto é que as pessoas estão perdendo o emprego e saindo do mercado de trabalho. É similar ao que acontece em uma grande recessão, quando quem é demitido não tenta encontrar um novo emprego”, afirmou o economista-chefe do banco de investimentos Haitong, Flávio Serrano.

Os mais afetados foram os trabalhadores informais (Foto: Vinícius de Melo/Agência Brasília)

De acordo com Serrano, da Haitong, as medidas de isolamento social para contenção do coronavírus são a chave desse movimento Por isso, o desemprego deve avançar rapidamente nas divulgações de junho em diante, quando forem levantadas as restrições à circulação em São Paulo e, possivelmente, nos demais Estados.

A pesquisa do IBGE considera como desempregados apenas aqueles que efetivamente tomaram alguma medida para buscar trabalho. “O que temos, agora, é uma restrição de mobilidade que contém o desemprego. Quando tiver o relaxamento, quem está desempregado vai começar a buscar, vai aumentar a população desocupada, e nós podemos ter um pico de taxa de desemprego entre 14% e 15, explica Serrano.

As demissões foram recordes em sete dos 10 grupos de atividades econômicas, com destaque para comércio, indústria, construção e s serviços domésticos. Os mais afetados foram os trabalhadores informais. Segundo Adriana Beringuy, analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE, o mês de abril teve um desempenho “totalmente atípico de tudo que já vimos na série histórica”. “De fato o isolamento social tem um peso bastante importante”, afirmou Adriana.

De todos que perderam emprego, 76% trabalhavam na informalidade, o que reduziu a proporção de informais entre os trabalhadores ocupados. “Todos estão perdendo (emprego), todos estão saindo da ocupação, mas os informais com intensidade muito maior”, disse Adriana.