Dólar fica abaixo de R$ 5 pela 1ª vez em um ano

Moeda americana bateu em R$ 4,99, mas passou a subir após decisão sobre manutenção dos juros do Fed, o banco central dos Estados Unidos

São Paulo – O dólar ficou abaixo de R$ 5 pela primeira vez desde 10 de junho do ano passado nesta quarta-feira (16). Na cotação mínima, a moeda americana à vista caiu 0,90%, para R$ 4,9976, mas à tarde passou a subir e bateu em R$ 5,08. Às 16h45, no entanto, o ritmo de alta era menor, com a moeda cotada a R$ 5,0521, um ganho de 0,30%.

Até o meio da tarde, a entrada de capital estrangeiro no mercado local e as vendas de exportadores puxaram a queda. Mas, após a divulgação do comunicado do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), que manteve os juros e sinalizou duas elevações em 2023, o dólar inverteu o movimento, com o índice DXY, que mede a força da divisa ante outras moedas principais, também atingindo máximas no dia

Dólar está em trajetória de queda no Brasil (Foto: JF Diorio/Estadão)

Os investidores não gostaram da declaração da entidade monetária, que voltou a dizer que a inflação subiu no país, mas “majoritariamente” refletindo fatores transitórios, segundo comunicado. O texto indica ainda que o Fed deixará a inflação nos Estados Unidos moderadamente acima da meta de 2% por “algum tempo” para que o nível de preços fique dentro do objetivo da entidade e a inflação permaneça “ancorada” em 2% a longo prazo.

Durante entrevista coletiva, o presidente do Fed, Jerome Powell, disse que a inflação dos EUA acelerou de forma “notável” e “acima das previsões”nos últimos meses, provocada pelo conjunto da fraca base comparativa de 2020, alta nos preços do setor de energia e retomada dos gastos com consumo.

Para justificar a decisão do Fed, Powell voltou a dizer que a recuperação da economia dos EUA ainda não está completa e que há risos, como a pandemia, destacando ainda a existência de um grande “grupo de desempregados no País”. Além disso, ele destacou o prosseguimento do programa de títulos públicos, uma das medidas que o mercado esperava que já fosse alvo de algum tipo de aperto, e disse ainda que a discussão de alta de juros agora “seria prematura”.

O mercado ainda monitora a decisão desta quarta do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sobre a Selic. As apostas majoritárias são de que a taxa básica de juros terá mais uma alta, de pelo menos 0,75 ponto, para 4,25% ao ano, embora parte dos analistas aposte em 1 ponto de aumento.

Sobe e desce do dólar

Os investidores também acompanham o cenário fiscal, depois que o presidente Jair Bolsonaro disse que o Bolsa Família será ampliado para R$ 300, a crise hídrica no País e as discussões sobre a medida provisória que abre caminho para a privatização da Eletrobras.

Sobre o tema, para defender as termelétricas a gás, incluídas por meio de jabutis aprovados na Câmara na MP da Eletrobras, o governo cita que “o lobby contra as térmicas foi justamente o que nos trouxe a essa situação de potencial racionamento”. Não está descartada a possibilidade de que a votação fique para esta quinta-feira, 17, caso o governo não obtenha uma margem segura para aprovar a MP.

A Bolsa brasileira (B3) é marcada pela instabilidade tradicional dos dias de vencimento de opções sobre seu principal índice, o Ibovespa, que segue sem forças para retomar os 130 mil pontos da abertura. No horário acima, o índice caía 0,36%, chegando aos 129.649,02 pontos.

Anúncio