Dono da Dolly cogita fechar fábrica na ZFM após redução de incentivo

Revelação foi feita neste domingo (12) pelo empresário Laerte Codonho

Manaus – A marca de refrigerantes Dolly faz as contas para saber se haverá viabilidade de manter sua indústria de concentrados de refrigerantes em Manaus. A informação é do dono da empresa, Laerte Codonho, que fez a revelação ao jornal ‘Folha de S.Paulo’.

O empresário Laerte Codonho (Foto: Reprodução)

“Isso estava sendo negociado, mas foi uma surpresa. Espero que haja uma reacomodação, um acordo que dê mais uns anos. Mantemos uma operação no meio da selva para ter o benefício fiscal. A partir do momento em que se corta isso, todos se questionarão se vale a pena”, declarou o empresário. Outra alternativa é a extinção da operação após a redução do incentivo ao setor na Zona Franca de Manaus, que expirou na virada do ano.

Na semana passado, de acordo com matéria do jornal ‘Valor Econômico’, o presidente Jair Bolsonaro decidiu não prorrogar o incentivo dos créditos tributários concedidos à indústria de refrigerantes na Zona Franca de Manaus, que será reduzido para 4%. A medida prejudica as indústrias do setor instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM).

Um decreto ainda no governo Temer cortou de 20% para 4% do IPI os créditos aos fabricantes e, em meio às negociações da reforma da Previdência, o presidente Bolsonaro elevou esses créditos a 10% até 31 de dezembro de 2019. Contrário ao subsídio, o ministro Paulo Guedes convenceu o presidente a reduzir.

A medida repercutiu mal entre os parlamentares do Amazonas, como o senador Eduardo Braga (MDB), para quem a decisão quebra a política de desenvolvimento sustentável. “A redução dos incentivos tributários para a produção de concentrados de bebidas não alcoólicas na ZFM quebra o direito constitucional e a política de desenvolvimento sustentável, reconhecida inclusive pela Organização Mundial de Comércio (OMC)”, disse na ocasião.

Segundo o parlamentar, o prejuízo estimado para as empresas que produzem na região em 2020 é de cerca de R$ 2,1 bilhões, com a redução dos créditos tributários.

Em entrevista ao programa ‘DIÁRIO DA MANHÃ’, na RÁDIO DIÁRIO 95.7 FM, do GRUPO DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (GDC), na sexta-feira (10), o deputado federal Marcelo Ramos (PL) afirmou que a decisão do presidente Jair Bolsonaro pode afetar 7,3 mil empregos formais.

Além do impacto na geração de empregos, o deputado federal afirmou que a decisão causa um “duro golpe” na economia do Amazonas, pois o polo de concentrados para refrigerantes gera R$ 9,5 bilhões de receita por ano.

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