Economia criativa no AM atinge R$ 290 milhões e gera mais de 70 mil ocupações

Empresas criativas geraram em 2020, mais de R$ 1,6 bilhão em receita e R$ 370 milhões em lucros, diz Observatório Itaú Cultural

São Paulo – Apesar da pandemia da Covid, a geração de riquezas da Economia da Cultura e das Indústrias Criativas (Ecic) no Amazonas, em 2020, movimentou 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a R$ 290 milhões, do total de R$ 116 bilhões gerados na economia. Já no Brasil, o setor representou 3,11% do PIB equivalente a R$ 230,14 bilhões. Os dados foram anunciados pelo Observatório Itaú Cultural, nesta segunda-feira (10), em São Paulo.

(Foto:Marcio James)

O levantamento mostra que essas atividades no País superaram, por exemplo, o setor automotivo, que respondeu por 2,1% do PIB, um ponto percentual a menos que a cultura e as indústrias criativas, no mesmo intervalo.7

O estudo também aponta que as empresas criativas do Amazonas geraram em 2020, mais de R$ 1,6 bilhão em receita e cerca de R$ 370 milhões em lucros. Já em 2021, eram 550 dessas empresas no Amazonas. No País eram mais de 130 mil empresas de cultura e indústrias criativas em atividade naquele ano.

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(Foto: Divulgação)

Desse universo no Amazonas, as categorias setoriais que compõem mais de 80% da quantidade de empresas criativas são de Publicidade e Serviços Empresariais (27%l), Demais Serviços de Tecnologia da Informação (22%) Cinema, Rádio e TV (13%) e Moda (10%).

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(Foto: Divulgação)

Mercado de trabalho

Segundo o boletim de mercado de trabalho do Observatório Itaú Cultural, a cultura e a economia criativa no Amazonas responderam por 72.021 dos empregos formais e informais, ou cerca de 4% do total do Estado, sendo que 63% são do sexo masculino, segundo dados mais recentes referentes ao quarto trimestre de 2022. Já os salários atingiram R$ 3.043, rendimento superior ao da média estadual de R$ 2.143, naquele período.

No Brasil, o percentual dos empregos nessas atividades sobe para 7% do total de trabalhadores, ao responderem por 7,4 milhões de empregos. O número é 4% maior que o verificado em 2021. Só no ano passado, a cultura e a economia criativa geraram 308,7 mil novos postos de trabalho no País.

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(Foto: FOTOS: Michael Dantas/Secretaria de Cultura e Economia Criativa)

Crescimento

As três edições da pesquisa nacional revelam que, indivíduos pertencentes à classe A/B, pessoas com Ensino Superior e jovens entre 16 e 24 anos são os que mais fazem atividades culturais tanto na versão online quanto na presencial.

O estudo foi elaborado a partir do critério de renda, o que engloba massa salarial, massa de lucros e outros rendimentos auferidos por empresas e indivíduos. A metodologia foi desenvolvida por um grupo de pesquisadores, liderado pelo professor e pesquisador Leandro Valiati, da University of Manchester, no Reino Unido, e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

De acordo com Valiati, as políticas públicas para Ecic dependem de um ecossistema entre universidades, governo e empresas. “Indústrias criativas e economia da cultura são relevantes e essenciais para se pensar estratégia de desenvolvimento econômico no mundo contemporâneo”, ao destacar que o PIB da Ecic cresce mais do que a média do PIB nacional nos últimos 8 anos e já está próximo da construção civil.

De 2012 a 2020, o PIB dos segmentos criativos, em números absolutos, cresceu 78%, enquanto que a economia total do País avançou 55%. A participação do PIB da Ecic, era de 2,72%, em 2012, e saltou para 3,11%, em 2020, apontou.

Já o presidente da Fundação Itaú Cultural, Eduardo Saron, destacou a importância do estudo. “É fundamental que a gente possa provar a importância da cultura no desenvolvimento econômico. Nos trazem valores, crenças e nós desenvolvemos economicamente um País”. De acordo com Saron, é necessário “gerar informação, gerar evidências, dar consistências, algo que percebemos há 17 anos e há 3 anos lançamos parte desse manual de dados a respeito do emprego e desemprego da Economia da Cultura e de Indústrias Criativas”, disse.

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(Foto: Divulgação Theatro Municipal DO RJ)

Metodologia

Para determinação desse PIB foram utilizados dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNADc/IBGE), da Relação de Informações Sociais (Rais), do Programa de Avaliação Seriada (PAS) e da Pesquisa Anual de Comércio (PAC), além das Tabelas de Recursos e Uso do IBGE (TRU) para contabilização dos impostos e o histórico de prestação de contas da Lei Rouanet.

(*) A repórter viajou a convite do Itaú Cultural.

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