Eletroeletrônicos têm alta na produção

Fabricação de itens de informática e de áudio e vídeo tiveram impacto no crescimento do setor, em abril, porém, a reoneração das empresas e outras medidas podem influenciar negativamente

Brasília – A produção industrial de produtos e equipamentos elétricos e eletrônicos cresceu, em abril, 19,5% a mais que no mesmo mês, em 2017, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) compilados pela área técnica da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). O desempenho foi estimulado, principalmente, pela expansão de 32,9% na área eletrônica. A área elétrica voltou a ter contribuição positiva, com crescimento de 7,9%, reagindo à queda de 7,8% observada em março.

Copa do Mundo e fim do sinal analógico impulsionam vendas de TV. (Foto: Eraldo Lopes)

No segmento eletrônico, foram expressivos os acréscimos de 42,9% na produção de equipamentos de informática e de 48,3% de aparelhos de áudio e vídeo. Impulsionados pelo evento da Copa do Mundo de futebol na Rússia e pelo fim do sinal analógico na TV, as vendas de televisores foi impulsionada, no último trimestre, um movimento diferente, em relação a outros anos, quando o ‘boom’ das vendas do aparelho acontece nos últimos meses do ano.

No acumulado de janeiro a abril, a produção industrial do setor eletroeletrônico cresceu 13% em relação ao mesmo período de 2017. Essa elevação foi estimulada pelo incremento de 27,7% na área eletrônica, visto que o aumento na produção da área elétrica foi bem mais modesto, de 0,7%.

Segundo o presidente da Abinee, Humberto Barbato, os resultados são positivos, apesar da baixa base de comparação. Ele destaca, entretanto, que as empresas estão apreensivas com o decorrer do ano. “O processo de retomada da atividade industrial pode ser comprometido em virtude da instabilidade política e de medidas anunciadas pelo governo Temer, como a reoneração da folha e o fim do Reintegra”, queixa-se o executivo.

Caminhoneiros

Outro elemento que pode afetar as projeções otimistas são os efeitos da última paralisação dos caminhoneiros que afetaram setores distintos da economia.

O mercado de veículos, por exemplo, deixou de licenciar cerca de 25 mil unidades em maio por causa da greve dos caminhoneiros, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Só no mercado de caminhões, o impacto foi de 500 unidades.

A paralisação foi suficiente, portanto, para evitar um crescimento das vendas do setor em maio ante abril. No mês passado, o setor registrou o emplacamento de 201,8 mil unidades, 15,4 mil a menos que em abril, ou um recuo de 7,1% entre um mês e outro. Com as 25 mil unidades que não foram licenciadas em maio, o mercado teria crescido 4%.

Anúncio