Empreendedorismo para consumidores LGBTQIA+ avança

Para o empresário Leonardo Vasconcelos, o mercado segmentado aproxima o negócio com o público-alvo

Manaus – Comemorado neste domingo (28), o Dia do Orgulho LGBTQIA+ abre ‘caminho’ para uma série de debates, dentre eles, o mercado econômico destinado à comunidade. Não é de hoje que o ‘pink money’, como é popularmente chamado o dinheiro gasto pelos LGBTs, é alvo de disputa do comércio. Mas, nos últimos anos, além de consumir, eles também passaram a investir.

É o caso do empreendedor e LGBT, Leonardo Vasconcelos, que tem dois dos três empreendimentos que possui, voltados para o público LGBTQIA+. “O mercado segmentado está em ebulição. A despeito do conservadorismo extremista ao qual temos sido submetidos atualmente, nossa comunidade vem conquistando cada vez mais espaço e respeito. É claro que não é da noite para o dia, mas gosto de ver as coisas sobre uma ótica positivista”, comenta ele.

O empreendedor Leonardo Vasconcelos possui uma casa noturna e uma barbearia voltada ao público LGBTQIA+ (Foto: Divulgação)

Atualmente, Vasconcelos é sócio da boate Augusta Haus e da Roxie Barbearia. De acordo com ele, trabalhar em um mercado segmentado permite uma maior aproximação e identificação com o público-alvo. “Em suma, trabalhar desta forma aumenta as chances de praticar estratégias de marketing de forma mais clara e assertiva. Além do mais, o nosso público-alvo merece uma atenção redobrada”, explica.

No que diz respeito a pesquisa de mercado, o empreendedor ressalta que existem ferramentas mercadológicas que permitem ‘visualizar’ qual a melhor estratégia a ser aplicada em cada um dos seus empreendimentos. Porém, seu maior feedback segue sendo a opinião do cliente. “Esta é a mais valiosa informação. Se estamos apostando em um caminho e nosso cliente nos mostra outra direção, não temos problema em mudar a rota”, detalha ele.

Outro ponto destacado pelo empreendedor, é a questão da contratação de funcionários. Conforme ele, o cenário LGBTQIA+ ainda é considerado ‘minoria’ e enfrenta resistência, preconceito, intolerância e falta de informação. “Por isso, o pré-requisito básico para trabalhar em uma instituição queer é estar aberto a aprender o tempo todo e entender que o mundo é plural. Somos todos diferentes e é isso que nos torna únicos. E é claro que pessoas que cometem ou apoiam atitudes homofóbicas, preconceituosas, racistas ou sexistas não estão aptas a atuarem nesse segmento de mercado”, define Leonardo.

Ainda sobre empreender, o empresário é taxativo ao dizer que só o fato de se arriscar em iniciar algo já exige uma dose de coragem, tendo em vista que mais de 75% dos novos negócios não chegam ao segundo ano.