Endividamento das famílias chega a 66,6% em abril, diz CNC

A maior parte das dívidas continua sendo com cartão de crédito (77,6%). Em seguida aparecem as dívidas com carnês (17,5%) e com financiamento de veículos (10,2%), revela a pesquisa

Brasília – O porcentual de famílias com dívidas em cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro alcançou 66,6% em abril, ante 66,2% em março, conforme a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada nesta terça-feira (14), pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O nível de famílias endividadas no País é recorde, na primeira edição da Peic a captar os efeitos da pandemia do novo coronavírus.

O nível de famílias endividadas no País é recorde, aponta CNC (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

O maior nível de famílias endividadas da série histórica da Peic, iniciada em 2010, representou ainda uma alta de 3,9 pontos porcentuais (p.p.) em relação aos 62,7% registrados em abril do ano passado.

Apesar da alta na proporção de famílias endividadas, o nível de inadimplência ficou inalterado na passagem de março para abril. A quantidade de brasileiros com dívidas ou contas em atrasos ficou em 25,3% das famílias entrevistadas, mesmo nível de março. A inadimplência é maior do que a registrada em igual período de 2019 (23,9%).

Em nota, a CNC associou a alta na proporção de famílias endividadas, que já estava em patamar elevado, à “injeção de liquidez que está em curso”, numa referência às medidas adotadas pelo governo para mitigar os efeitos econômicos da pandemia de Covid-19, como a liberação de depósitos compulsórios para os bancos.

“Nesse contexto, vale ressaltar a importância de se viabilizar prazos mais longos para os pagamentos ou alongamentos das dívidas, além da busca por iniciativas mais eficazes para mitigar o risco de crédito. Assim, os consumidores poderão quitar suas contas em dia sem maiores dificuldades, afastando a piora nos indicadores de inadimplência, nos meses à frente”, diz a nota da CNC.

A maior parte das dívidas continua sendo com cartão de crédito (77,6%). Em seguida, aparecem as dívidas com carnês (17,5%) e com financiamento de veículos (10,2%).

O percentual de famílias que não terão condições de pagar suas dívidas caiu de 10,2% em março para 9,9% em abril. Ainda assim, o percentual é superior a abril de 2019 (9,5%).

De acordo com o presidente da CNC, José Roberto Tadros, o aumento do endividamento é baseado na ampliação do crédito, a fim de manter o poder de compra das famílias durante a pandemia do novo coronavírus.