Equipe econômica e ‘Sistema S’ duelam

Financiamento de bolsa e corte de 30% das verbas das entidades profissionalizantes e assistenciais do trabalhador fazem dirigentes empresariais entrarem em confronto com governo

Manaus – A ideia do governo federal de oferecer uma bolsa de R$ 550 para jovens de baixa renda e trabalhadores informais fazerem cursos de especialização, com R$ 275 pagos pelo ‘Sistema S’ e a outra metade, pela empresa, abriu um novo atrito entre governo federal e entidades empresariais. As instituições temem ainda, que o corte de 30% das verbas inviabilize as escolas profissionalizantes.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, que tem na sua aba o Serviço Social da Indústria (Sesi) e o Serviço Nacional da Indústria (Senai), diz que o Sistema S não suporta o corte de 30% dos recursos. Segundo ele, era negociado um acordo com o ministro da Economia Paulo Guedes de um repasse “espontâneo” de R$ 2 bilhões de todo o setor em 2022. Ele afirma que não há sombra de recursos. “Vai acabar em três anos com o sistema”, disse Andrade, que prevê o fechamento de 400 escolas de treinamento.

“É um equívoco tirar recursos da capacitação profissional para uma bolsa direta em dinheiro que poderá ser usada para outras finalidades, como compra de alimentos, por exemplo”, disse o presidente da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), Vander Costa.

Verbas do Sistema S aplicadas na capacitação são alvo do governo (Foto: Divulgação)

O projeto é a ‘menina dos olhos’ de Guedes, que vinha buscando apoio do setor empresarial e dos dirigentes patronais para conseguir o financiamento fora do Orçamento. Antes de assumir o ministério, Guedes prometeu “meter a faca” no Sistema S.

A tensão aumentou na última sexta-feira (23), quando a mesma expressão foi usado pelo secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, durante live do jornal Valor Econômico. “Temos que passar a faca no Sistema S para passar para o jovem carente”, disse.

A reação foi imediata. Para Robson Andrade, as afirmações de Sachsida desprezam contribuição das instituições para qualificação e aumento da empregabilidade do trabalhador. “Querer desestruturar o trabalho já realizado pelo Sesi e pelo Senai por meio de uma ‘facada’, na tentativa de enfraquecer duas das principais instituições com capacidade para contribuir com os esforços de reduzir a informalidade e o desemprego no País, isso sim, é condenar uma parcela da população à pobreza”, disse.

De acordo com o Senai, a instituição e a principal do País no Ensino Técnico e profissional com mais de 80 milhões de trabalhadores formados em oito décadas. E aponta que sete em cada dez de seus egressos – cuja renda média é de 1,54 salário-mínimo (a renda média do País é de 2,54 SM) – encontram-se empregados um ano após a conclusão da formação, resultado de uma metodologia eficaz e em constante atualização, reconhecida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pela Unesco e replicada em mais de 20 países.

Já o Sesi aponta que oferece educação básica a mais de 900 mil jovens. Sua metodologia é de reconhecida excelência e seus alunos têm elevado desempenho no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Em 2020, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) beneficiou 36,7 mil trabalhadores já fora da idade escolar. “Além disso, em 2020, 4,3 milhões de trabalhadores foram beneficiados com serviços de saúde e segurança do trabalho e 869 mil vacinas contra a gripe foram aplicadas. Em 2021, o Sesi já apoiou o poder público na vacinação de mais de 730 mil brasileiros contra a Covid-19”, informou a instituição.

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