Especialistas discutem estratégias na transição da Reforma Tributária

Para eles, é fundamental a comunicação entre as áreas fiscal, de vendas, produção e logística

São Paulo – A edição 24 do Tax Summit, um dos maiores eventos da área tributária do País, aconteceu nos dias 6 e 7 de na cidade de São Paulo. Durante o painel “Ecossistemas de inovação fiscal: estratégias colaborativas na jornada de modernização”especialistas da área discutiram a necessidade de promover a colaboração entre profissionais quando se pensa em inovação. Para eles, é fundamental a comunicação entre as áreas fiscal, de vendas, produção e logística, especialmente por conta da preparação para a reforma tributária, que deve iniciar seu período de transição em 2026.

Plenário da Câmara dos Deputados (Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil)

Conduzido por Eric Gabriel Carvalho, Diretor de Desenvolvimento de Software da Synchro, o debate também contou com a participação de Carlos Ono, Tax Manager da Dell; Uirá Gomes, Senior Manager de Tax Transformation do Mercado Livre; e Marcia Mendes, SAP Enterprise & Compliance Director da Origen Tech.

Durante o painel, os especialistas destacaram a importância da inovação e lembraram que depois da nota fiscal eletrônica a área fiscal nunca mais foi a mesma, ou seja, está sempre em constante evolução. “Por outro lado, percebemos que nem sempre as áreas respondem na velocidade necessária”, apontou Carlos Ono, da Dell. Para Uirá Gomes, responsável pela área de transformação fiscal no Mercado Livre, os profissionais da área fiscal ainda estão bastante receosos em relação às mudanças, mas, na opinião dele, será fundamental ao profissional “ficar atento às mudanças históricas que estamos presenciando, para não ser ‘atropelados’ por elas”.

Para Eric Carvalho, Diretor de Desenvolvimento de Software da Synchro, os avanços em tecnologia foram muito grandes nos órgãos reguladores e as empresas precisam acelerar os processos e dar saltos para alcançar esses avanços. Uirá Gomes destacou que as empresas podem “copiar os passos” desses órgãos reguladores, lembrando às pessoas seu propósito como profissionais da área de tax. “A Receita Federal redesenhou seu mapa, trabalhando sistemas, pessoas e processos. Nos anos 2000, a Receita Federal era um agente arrecadador de impostos. Hoje é ‘um agente fundamental ao crescimento do Brasil’. Qual o propósito da área de tax das empresas?”, perguntou à plateia.

Para Márcia Mendes, SAP Enterprise & Compliance Director da Origen Tech, os avanços também passam pelo entendimento e mapeamento dos cenários das empresas.

“Em muitos projetos de inovação é comum as pessoas começarem empolgadas e desanimarem à medida que percebem que os sistemas standard não suprem todas as necessidades das empresas. Por outro lado, com cenários e dados complementares, é possível utilizar soluções customizadas”.

De acordo com a especialista, ainda há nas empresas muita dificuldade de as áreas entenderem o que cada uma faz. A área fiscal acaba se tornando o ponto de confluência dos projetos, justamente por conhecer muitos processos de áreas como compras, logística e vendas.

“Nos projetos, demandamos muito a área fiscal, porque ela consegue falar de vendas, contábil e compras. Essas pessoas estão preparadas para a transição que está por vir. Quanto melhor tiver sua preparação fiscal, melhor estará sua logística e produção”, destacou.

Para Carlos Ono, a “visão holística” será fundamental para as empresas. “A reforma tributária vai exigir que a área fiscal tenha interação com diversas áreas. As pessoas precisam conhecer os outros departamentos para entender como solicitar informações de maneira mais adequada”, destacou.

Para ele, será importante promover sessões internas para estimular a todos a aderirem à participação na área fiscal. O especialista lembrou a importância de entender os impactos dos projetos em cada área.

“Senão você monta um projeto que pode melhorar sua área, mas pode prejudicar outras. É importante que as informações sejam ‘alimentadas’ de forma prática nos sistemas”.

Uirá Gomes lembrou que, no Mercado Livre, foi criado um time de transformação fiscal, focado em cultura, revisão de processos, tecnologia e pessoas.

“É preciso parar e desenhar o que você quer para sua empresa. A gente tem que entender o propósito da área fiscal. Isso é o que vai engajar as pessoas, que estão passando por muitas mudanças e instabilidades, é necessário conectar as pessoas”, concluiu.

O Brasil Tax Summit 2024 apresentou as mudanças e desafios do cenário tributário no Brasil e reuniu profissionais do setor fiscal de grandes empresas.

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