Imigrantes têm saldo de 156 postos de trabalho no Amazonas

Haitianos e venezuelanos têm a maior participação nas vagas formais entre os estrangeiros, no País, segundo o Observatório das Migrações Internacionais (Obmigra)

Manaus – As vagas de emprego para imigrantes no Amazonas cresceram, no segundo trimestre de 2018. De acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o saldo de vagas, que é a diferença entre as admissões e demissões, ficou em 156 postos, em abril, maio e junho. No trimestre do ano passado, o saldo foi de 41 postos de trabalho no Estado. No primeiro trimestre, foram 102 vagas formais criadas.

Venezuelanos recebem atenção especial como refugiados (Foto: Sandro Pereira)

No Brasil, a presença de imigrantes no mercado formal de trabalho também aumentou no segundo trimestre. O saldo ficou em 2,4 mil nos meses de abril, maio e junho, acima do mesmo período de 2017, quando o saldo chegou a 2.054 postos de trabalho. Já no primeiro trimestre de 2018, o saldo chegou a 3.452 postos para trabalhadores não brasileiros, mas ainda foi positivo.

O dado é do relatório trimestral apresentado pelo Observatório das Migrações Internacionais (Obmigra) ao Conselho Nacional de Imigração (CNIg). O estudo usa dois bancos de dados para o cálculo: o da Carteira de Trabalho e Previdência Social e o do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Para o coordenador de Estatísticas do Obmigra, Tadeu Oliveira, esse número só não é maior por causa da situação econômica brasileira.

O maior saldo de vagas ainda é dos haitianos. Nos últimos três meses, foram abertas 1,4 mil vagas para esses trabalhadores, o que corresponde a mais da metade do total de postos gerados para imigrantes no País. No primeiro trimestre do ano, o número tinha sido 2,4 mil.

Em segundo lugar, estão os venezuelanos, com 802 novos postos. Mas, ao contrário do que aconteceu com os haitianos, que tiveram um crescimento menor do que no primeiro trimestre, para os trabalhadores da Venezuela, o número de vagas criadas quase dobrou – antes eles eram 432.

O coordenador-geral de Imigração (CGIg) do Ministério do Trabalho, Hugo Gallo, lembra que esses números são reflexo da atual realidade migratória no Brasil. “Houve um momento em que o grande fluxo de entrada no País foi dos haitianos, logo após o terremoto que devastou o País. Agora, estamos vendo uma grande entrada dos venezuelanos. Isso promove reflexos no mercado de trabalho”, explica.

As demais nacionalidades têm presença muito pequena. O saldo ficou menor do que 100 em todas elas. No caso dos argentinos, houve, inclusive, fechamento de postos. O resultado no trimestre foi de 93 vagas a menos.

Regiões

A região com maior número de vagas abertas a imigrantes no segundo trimestre deste ano é o Sul. Dos 2.406 novos postos formais, 1.170 surgiram nos três Estados sulistas. Foram 584 no Paraná, 338 em Santa Catarina e 248 no Rio Grande do Sul.

Na Região Sudeste, o saldo foi de 671, sendo a maior parte, 592, em São Paulo. No Norte houve um aumento em 437 vagas, quase todas em Roraima (282) e Amazonas (156). O centro-Oeste fechou o trimestre com 161 novos postos, e no Nordeste houve fechamento de 33 vagas.

No primeiro trimestre, os resultados foram parecidos, com a diferença de que os saldos positivos foram menores, já que o número total de vagas abertas também foi menor.

Metade dos imigrantes tem o Ensino Médio completo

Cerca de metade dos imigrantes contratados no Brasil possui Ensino Médio completo. Das vagas criadas no segundo trimestre deste ano, 1.259 foram destinadas a trabalhadores com esse nível de escolaridade. A relação é muito parecida com o trimestre anterior quando o saldo para esta faixa foi de 1.563.

Em segundo lugar no ranking de novas contratações, estão os imigrantes que completaram o Ensino Fundamental (340), seguidos daqueles com Ensino Médio incompleto (268) e Ensino Fundamental incompleto (239). Trabalhadores com Ensino Superior completo ocuparam 142 vagas novas no último trimestre e os que não chegaram a concluir a faculdade ficaram com 98 postos. Analfabetos são os de menor representatividade. O saldo para esta faixa no período foi de apenas 60 vagas.

Em contrapartida, a maior parte das contratações de imigrantes foi para vagas que não exigem alta escolaridade ou conhecimento técnico. As empresas que mais contratam são as de abate de aves, frigoríficos de suínos, limpeza em prédios e domicílios, restaurantes e comércio varejista.

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