Inadimplência tem alta de 4%, em junho, segundo dados do SPC

O País concluiu o primeiro semestre deste ano com, aproximadamente, 63,6 milhões de brasileiros com o CPF restrito em virtude de atrasos no pagamento de contas

Manaus – A lenta recuperação econômica não tem colaborado para a queda da inadimplência no País. O volume de consumidores com contas em atraso e registrados em cadastros de devedores cresceu 4,07%, em junho, na comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). É a nona alta consecutiva na série histórica do indicador. O último recuo da inadimplência foi em novembro de 2017 (-0,89%). Ao todo, a pesquisa estima que o País concluiu o primeiro semestre deste ano com, aproximadamente, 63,6 milhões de brasileiros com o CPF restrito em virtude de atrasos no pagamento de contas, o que representa 42% da população adulta do País.

É a nona alta consecutiva na série histórica do indicador. (Foto: Eraldo Lopes)

O indicador ainda revela que na comparação mensal – ou seja, passagem de maio para junho, sem ajuste sazonal-, houve um crescimento de 0,61% no volume de consumidores inadimplentes – foi a maior variação positiva desde março deste ano.

Na avaliação do presidente da CNDL, José Cesar da Costa, o ano de 2018, vem frustrando as expectativas de que haveria uma consolidação no processo de retomada econômica, inclusive com reflexos positivos na vida dos consumidores. “Embora os juros estejam menores e a inflação dentro da meta, o desemprego ainda é elevado e acaba reduzindo a capacidade de pagamento das famílias. A recuperação está mais lenta do que o esperado e as projeções mostram que teremos um segundo semestre ainda difícil para as finanças do brasileiro”, analisou.

Mais da metade das dívidas pendentes (51%) de pessoas físicas no País têm como credor algum banco ou instituição financeira. A segunda maior representatividade fica por conta do comércio, que concentra 18% do total de dívidas não pagas, seguido pelo setor de comunicação (14%). Os débitos com as empresas concessionárias de serviços básicos como água e luz representam 8% das dívidas não pagas no Brasil. Em média, cada inadimplente possui duas dívidas em aberto.

Região Sudeste lidera

O volume de inadimplentes aumentou em todas as regiões do País. A mais acentuada foi na região Sudeste, cujo crescimento foi de quase 10% (9,88%), em junho, frente ao ano passado. Em segundo lugar ficou a região Nordeste, que apresentou alta de 4,81% na quantidade de devedores. As variações também foram positivas no Centro-Oeste (2,82%), Sul (2,13%) e Norte (2,02%).

Embora seja a região que tenha apresentado o menor crescimento da inadimplência, em junho, são os Estados do Norte que concentram, de forma proporcional, o maior número de brasileiros inadimplentes no País: 5,79 milhões de consumidores, que juntos representam 48% da população adulta residente. A segunda região com maior número relativo de devedores é o Nordeste, que conta com 17,61 milhões de negativados, ou 44% da população. Em seguida, aparece o Centro-Oeste, com 4,92 milhões (42% da população adulta), o Sudeste (41% de sua população adulta) e o Sul (36% de adultos).

Volume de atrasos cai entre jovens e aumenta em idosos

O indicador também revelou que houve queda da inadimplência entre a população mais jovem, enquanto o número de atrasos aumentou entre os brasileiros de idade mais elevada. Na faixa dos 18 aos 24 anos, a queda foi de 23,31% e na faixa dos 25 aos 29 anos, o recuo foi de 5,28%. O maior crescimento no atraso de contas foi observado na população idosa, que varia de 65 aos 84 anos, cuja alta foi de 10,76%. Em seguida, aparecem os consumidores de 50 a 64 anos (7,71%), de 40 a 49 anos (5,58%) e de 30 a 39 anos (2,04%).

A quantidade de dívidas em nome de pessoas físicas também aumentou. Nesse caso, a alta em junho foi de 1,38% frente ao mesmo período de 2017. Na comparação mensal, isto é, entre maio e junho, a alta na quantidade de dívidas foi de 0,45%.

As dívidas bancárias, como cartão de crédito, cheque especial, financiamentos e empréstimos, foram as que apresentaram a maior alta em junho, com crescimento de 7,62% na comparação com o mesmo mês de 2017. Em segundo lugar ficaram as contas básicas para o funcionamento da casa, como água e luz, com alta de 6,69% no volume de atrasos. A inadimplência com contas de telefone, internet TV por assinatura aumentaram 3,57% no último mês de junho. Já as compras feitas no boleto ou crediário no comércio foi o único segmento a apresentar queda na quantidade de atrasos. Nesse caso, o recuo foi de 9,24% em junho.

“Para evitar o chamado efeito ‘bola de leve’, o consumidor deve priorizar o pagamento de dívidas com juros mais elevados, que geralmente são as dívidas bancárias, orienta a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti. “Uma opção que pode ser analisada em certos casos é a substituição da dívida por outra com juros mais baixos”, disse.

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